sexta-feira, outubro 10, 2008

Epigramas* Amorosos da Antologia Grega.

Nas próximas sextas feiras, dia de Afrodite, vou publicar mais alguns destes epigramas que falam de amor e da deusa da beleza.

Oferenda

Eis aqui algumas flores, amada Afrodite, Rainha do Ouro.

Colhi-as nos campos da querida Hélade, não as margens dos largos caminhos por onde passaram, depois do divino cego, o piedoso Ésquilo e o sábio Euripedes, Masw ao longo dos atalhos modestos, por onde a exemplo do elegante Meleagro, passearam Leônidas, honra de Tarento e o povo dos campos. Sei que adoras, Cipris estes caminhos humildes. Aí te vêem sorrir os amantes sem glória e as pequenas cortesãs. Perdemo-nos por eles muitas vezes com prazer.

Nem todas as amorosas procuram, Tintárida, aventuras ilustres. Conheces amantes que sem terem tido o destino de Paris, julgaram feliz a sua existência. E por ser muito famoso, Menelau não é, talvez, o mais digno de Lastima dentre daqueles que tu desgraçaste.

Assim, numa época em que os servos de um deus triste desejariam Proscrever-te, Citeréia, receba de mim esta guirlanda de flores.

* Epigramas - entre os antigos gregos, qualquer inscrição, em prosa ou verso, colocada em monumentos, estátuas, moedas etc., dedicada à lembrança de um evento memorável, uma vida exemplar etc.

domingo, outubro 05, 2008

Lançamento livro com um conto meu

“Ulisses estava realizado, qualquer um que olhasse para ele diria isto. Tinha um bom trabalho, apartamento decorado com móveis assinados por bons designers contemporâneos, obras de arte, um bom carro, os filhos do primeiro casamento, terminando a faculdade e com carreiras definidas. Era, para todos que o conheciam, um exemplo de realização. Porém algo o incomodava, nem mesmo ele sabia o que.”

 

Este é o primeiro parágrafo do conto Ulisses de todos nós que escrevi para o livro Histórias do Tarô, junto com este que foi escrito para o arcano O Sol, mais vinte e dois contos fazem a viagem pelos arcanos maiores do Tarô, um livro gostoso de ler com visões destes arcanos que não encontramos nos livros de tarô.

O lançamento deste livro que já se encontra nas livrarias, (vi ontem, na Livraria Cultura da Paulista, dois exemplares na estante) vai acontecer no próximo sábado dia 18 de outubro de 2008 das 15 ás 18 horas, na Livraria Francisco Alves na Av. Paulista, 509 – em frente ao metrô Brigadeiro.

Estarei lá autografando meu conto, junto com os outros 22 autores, imaginem a oferta “compre 1 livros e pegue 23 autógrafos”.

Com certeza autografar tantos livros será um trabalho árduo, assim as 18:00 estarei maluco por uma cerveja e podemos toma-la juntos em algum boteco das vizinhanças.

Espero você lá

O link para imprimir o convite e ver todos os autores que participaram do projeto é http://www.tarjaeditorial.com.br/convites/convite_taro.htm

quarta-feira, setembro 24, 2008

Nós, os Deuses e os Mitos de Criação

Quando pensamos em religião, não podemos nos esquecer dos mitos de Criação. A cosmogonia ou cosmogênese de cada religião vai representar a Cosmovisão de seus adeptos, que nada mais é para nós agora que a nossa maneira de ver o mundo e a Divindade.

É a partir do mito de criação que nós definimos como serão os nossos deuses e o nosso comportamento perante eles. Podemos considerar os deuses como nossos senhores, como nossos familiares, ou como nós sendo parte deles. A princípio e grosso modo podemos classificar três tipos de cosmogênese nas diversas religiões. Estas cosmogonias definem claramente se a religião é Monoteísta, Politeísta ou Panteísta e a relação entre o Humano e o Divino dentro de cada uma delas.


Quem quizer ler o restante do texto, passe no www.tribosdegaia.org e depois volte para comentar aqui

quinta-feira, setembro 18, 2008

Nossa natureza


 Porque será que aceitamos os deuses na natureza e suas manifestações e ao mesmo tempo recusamos a aceitar as manifestações dos deuses nas pessoas.

Será porque consideramos a natureza que nos cerca como irracional e portanto não precisa ser politicamente correta?

Vejam assim, um raio pode destruir uma casa, matar uma pessoa ou detonar uma subestação da Eletropaulo, que tudo bem é uma fatalidade (de Fates, as Moiras) coisa do destino. Já se um filho de Zeus levanta a voz e discute ele é um grosseiro.

Todos admiram a primavera, com toda a natureza se enfeitando, para tudo ficar mais bonito. Ninguém reprova a Primavera. Mas se uma Filha de Afrodite acorda de baton, ou  como todo filho de Afrodite exercita sua sedução, o povo já vai dizer que é vaidade, luxuria... Principalmente os feios e sem graça, vão falar mal, dizer que a pessoa está se achando ou galinhando.

Hera pode perseguir com seus ciúmes todas as mulheres que se aproximam de Zeus e até causar desastres naturais com suas tempestades, mas a filha de Hera deve controlar-se, ou todos vão dizer que ela é exagerada ou psica.

Aceitamos os deuses como eles são sem reservas, porque então não aceitamos as pessoas, que são reflexo dos deuses. Tudo bem se um filho de Marte pareça um psicopata edipiano, ou que o filho de Hermes seja mentiroso e trambiqueiro. Eles são assim, iguais aos deuses que carregam em si.

Nesta nossa civilização Ocidental e Cristã, a natureza sempre foi colocada como uma inimiga que precisamos conter e subjugar, porém nem com toda tecnologia moderna conseguimos conter furacões, terremotos, maremotos, por que então esta necessidade de conter as pessoas, de fazer com que elas ajam contra a sua própria natureza?

Acredito que isto aconteça pela adoção do monoteísmo, onde o deus criador vive longe da terra e é um deus transcendente cujo o reino de glória não está no nosso planeta. Por isto qualquer lembrança dos antigos deuses é condenada, já que estes são forças que regem o planeta e nossas emoções.

Eu aceito que os monoteístas sejam assim, mas não consigo entender como as pessoas que optaram pelo paganismo, mantenham o mesmo comportamento, já que são características de deuses pagãos refletidas em seus filhos.

Por que será que mesmo no paganismo, não aceitamos as pessoas como elas são, e sempre esperamos que elas ajam como se todos fossem parte de um mesmo rebanho, todos ovelhas do senhor.

 

Pensem nisso antes de criticar o comportamento dos outros

 

terça-feira, setembro 16, 2008

Deuses perigosos e desconhecidos.

 Isto daria uma série incrível, mas falta tempo para escrever tanto e quem se interessaria em conhece-los melhor, já que todos buscam deuses mais conhecidos para prestar culto e adoração.

Vemos diariamente na rede pessoas que se dizem filhos destes ou aqueles deuses por puro gosto pessoal, a vida destas pessoas, a aparência física e a própria fé destas pessoas, contradizem totalmente o mito do deus de quem eles dizem ser filhos. Porém estes querem usar os deuses como uma jóia resplandecente visivelmente pendurada em seus pescoços, para diferencia-los dos demais. Mas como todos que querem ser diferentes caem na vala comum da mediocridade, se juntando a outros seus semelhantes, formando um grupo de diferentes iguais, nivelados pela falta de fé e conhecimento.

Infelizmente, os deuses quando ofendidos pela hibris e a falta de piedade dos humanos, se afastam saem sorrateiramente sem serem percebidos e deixam estes infelizes humanos nos braços de Pheme, Fama para os romanos.

Fama era uma Titânida, filha de Gaia que habitava no centro do mundo, nos confins da Terra, no céu e no mar, morava em um palácio de Bronze, com milhões de orifícios que captavam tudo que fosse falado no mundo, por mais baixo e inaudível que fosse e ampliando-o, propalava-o de imediato.

Faziam parte do cortejo de Pheme, o engano, a credulidade, o temor e os boatos e Fama seguia com eles por todos os cantos do mundo. Ela possuía uma infinidade de olhos e ouvidos para não perder nada e outro tanto de bocas para divulgar o que tinha visto e ouvido.

Estes que procuram os deuses em busca de promoção ou poder, são guiados pela Fama, que tanto pode ser boa ou má, mas não podemos nos esquecer que em latim “Famosus” é derivado de seu nome mas ao invés do sentido moderno de brilho e gloria, era em principio aquele que dá o que falar, difamado e desacreditado.

Quem bem nos fala desta perigosa divindade é Ovídio quando descreve o Palácio da Deusa:

"O povo se espreme no salão; uma multidão frívola circula pelos umbrais. Mil falsos boatos entrelaçados com algumas verdades circulam de boca a boca, palavras confusas ecoam no ambiente. Alguns rumores penetram nos ouvidos dos ociosos, outros divulgam por toda parte o que foi dito. Os embustes se multiplicam e o narrador acrescenta algo novo ao que ouviu." ( Metamorfoses, 12, 53-58)

Outro romano, Virgilio, ainda mais poético retrata a deusa de corpo inteiro:

"Monstro Horrível, gigantesco, possuidor de tantas plumas no corpo quantos ( Ó Prodígio!) são os olhos sob elas, quantas são as línguas e bocas para falar e ouvidos à escuta.

À noite voa entre o céu e a Terra silvando, e não fecha os olhos ao doce sono. Durante o dia senta-se vigilante nas altas cumieiras das casas ou nas mais elevadas torres.

Aterroriza as grandes cidades, persistente mensageira tanto da mentira e calunia como de parte da verdade" ( Eneida, 4, 53-58)

Às vezes a Fama é retratada como a vanguarda de Pater Mars já que os boatos, maledicências e calúnias sempre antecedem as guerras e os assassinatos e outras tantas calamidades.

Portanto os que buscam os deuses pelo poder e pela fama, numca devem se esquecer que os deuses sempre exaltam aqueles que eles querem derrubar.


terça-feira, agosto 05, 2008

O terror ancestral volta a nos atormentar


Um terror antigo que que reprime toda a alegria do Brasil. Alem do politicamente correto, do nosso Judiciário corrupto, das balas perdidas e dos sequestro relâmpagos. Um novo demônio nos assusta nas ruas.
O Baphomêtro!

Descaradamente roubado do autor, Lord A:.

sexta-feira, julho 25, 2008

Os Deuses e nós.

Peço que durante a leitura deste artigo, vocês façam o possível para não pensar no que aprenderam na infância sobre o Deus monoteísta revelado, esqueça durante estes minutos em deuses criadores do céu e da terra, em deuses únicos e eternos. Vamos falar de Deuses aparentados conosco, filhos de uma mesma mãe que os humanos e feitos da mesma matéria e ainda assim Deuses, imortais, poderosos e que dividem conosco o mesmo espaço ainda caminhando sobre a Terra

assim começa minha nova coiluna no tribos http://www.tribosdegaia.org/gwydyondrake/drake25.html


Passem lá para eler o resto e depois voltem aqui e comentem.

Abraços

terça-feira, junho 24, 2008

Astrônomos ligam eclipse de 1178 aC a eventos na Odisséia


Dados astronômicos do poema reforçam hipótese de que Ulisses matou os pretendentes em 16 de abril

Carlos Orsi, do estadao.com.br

SÃO PAULO - O poema épico Odisséia narra os dez anos que o herói grego Ulisses (ou Odisseu) passou em aventuras pelo Mediterrâneo, tentando retornar para sua terra natal, a ilha de Ítaca. Composta por volta de 800 a.C, a narrativa conta como Ulisses enganou o ciclope Polifemo, derrotou da bruxa Circe e escapou do canto das sereias, entre outras peripécias. Agora, dois astrônomos afirmam que o épico contém, ainda, o momento da reconquista, pelo herói, do palácio onde sua rainha, Penélope, o aguardava: 16 de abril de 1178, a.C, por volta do meio-dia. Essa informação não aparece explicitamente nos versos mas pode ser deduzida, dizem os cientistas, de dados astronômicos presentes no poema, uma das obras fundadoras da literatura ocidental.

O ponto de partida dos pesquisadores, que descrevem sua hipótese na revista científica Proceedings of the National Academy os Sciences (PNAS), é um verso do vigésimo canto do poema, onde um vidente prevê um escurecimento do céu e a morte dos pretendentes que buscam conquistar Penélope. A idéia de que essa profecia poderia conter uma referência velada ao eclipse de abril de 1178 não é nova, reconhecem os autores do artigo, e existe há séculos. O que eles afirmam é ter encontrado diversas outras informações astronômicas no poema que dão à hipótese uma força até agora inédita.

"Analisamos outras referências astronômicas no épico, sem presumir a existência de um eclipse, e procuramos datas que batam com os fenômenos astronômicos que, acreditamos, são descritos", diz o texto na PNAS.

A conclusão a que os autores chegam, com base no movimento das constelações de Plêiades e Boieiro, e em deslocamentos do planeta Mercúrio - que seriam apresentados, no texto, como viagens do deus Hermes - é de que essas referências fornecem confirmação independente de que o dia do massacre dos pretendentes foi um dia de eclipse solar sobre as ilhas gregas.

"Fizemos o melhor possível para não sermos seletivos nos dados que usamos", diz um dos autores, Marcelo Magnasco, da Universidade Rockfeller, em Nova York. "Não há outras referências abertas a fenômenos astronômicos no poema. Vasculhamos a Odisséia em busca de mais, e não há. Quanto a movimentos de deuses, só há quatro no primeiro plano da ação: Atena, que fica o tempo todo para lá e para cá; Zeus, que não sai do lugar e, então, Hermes e Poseidon". Deus dos mares, Poseidon, ou Netuno, só passou a ser uma referência astronômica com a descoberta do planeta que leva seu nome, em 1846.

O principal problema com a hipótese, reconhecem os autores, é explicar como toda a informação astronômica supostamente codificada no poema teria sobrevivido ao longo dos quase 400 anos entre os eventos reais que teriam dado origem ao mito de Ulisses e a composição do épico. "Todas as possibilidades soam malucas", reconhece Magnasco, dizendo que é isso que torna o trabalho "tão interessante". "Se houvesse qualquer modo evidente dessa informação chegar, então não haveria tanta surpresa".

O astrônomo diz ainda que a reação ao trabalho ligando os céus à Odisséia tem sido positiva, no geral, com uma exceção: "Todo o retorno que tivemos de historiadores especializados em Grécia foi extremamente negativo". As razões, segundo Magnasco, são o fato de não haver um canal claro para a informação astronômica precisa ter sobrevivido até a composição do poema, e a afirmação de que os gregos antigos não identificavam o planeta Mercúrio com o deus Hermes. "Mas Platão, em 400 a.C, refere-se a Mercúrio como a estrela sagrada de Hermes", defende-se.

"As interpretações alegóricas antigas de que o verso se refere a um eclipse existem mesmo", diz o professor de língua e literatura grega da Universidade Federal de Minas Gerais, Jacyntho José Lins Brandão, afirmando que, embora não possa julgar a parte astronômica do trabalho, considera a hipótese como um todo "bem amarrada". "Se não é verdade, é bem contado", diz.

"Do ponto de vista literário, embora se trate de um texto ficcional, a Odisséia está repleta de marcas de verossimilhança", explica, referindo-se à coerência interna do poema. "O conhecimento do movimento dos astros devia ser difundido para um povo agrícola e marítimo como os gregos, podendo, num poema de viagem marítima como a Odisséia, constituir, para eles, uma marca de verossimilhança mais forte do que para nós".

terça-feira, junho 17, 2008

ESPÍRITO DE BRUXA

Um texto da Bru

Oi tchurminha!!! (É assim que cumprimento meus amigos sempre que nos encontramos, então aqui não vai ser diferente.)

A minha apresentação foi feita pelo Gwydyon Drake e, além de relatar o meu curriculum vitae profissional e bruxal, meu “mui amigo” já me entregou legal nos bons e maus aspectos das minhas maluquices pessoais, rs rs rs . Então não vou tomar mais tempo de vocês com isso, quem quiser detalhes dá uma olhada lá.

Quero aproveitar este espaço para falar sobre coisas que eu considero fundamentais no comportamento dos neopagãos em geral, e dos que se consideram bruxos em particular, qualquer que seja a Tradição escolhida. Coisas que muitos talvez considerem simples demais, óbvias demais para que se perca tempo com elas, não apenas falando a respeito mas colocando em prática. Afinal, há tantos livros de autores renomados para ler, feitiços para decorar, instrumentos mágicos e amuletos para comprar e consagrar, rituais para executar com dia, hora, minuto e local marcados, listas de discussão na Internet onde precisamos expor brilhantemente nossas verdades incontestáveis. Tudo isso toma tempo, muito tempo. E esta passagem que chamamos de “vida atual” sempre nos parece curta demais para realizarmos todos os nossos propósitos, independentemente de qual estágio desta “vida” nos encontremos. Daí que perdemos tanto tempo ocupados em aprender teorias sofisticadas, em escolher UM SÓ E DEFINITIVO CAMINHO - descartando de forma radical, quase irada, as demais trilhas e seus seguidores - que muitas vezes nos esquecemos de que é o CAMINHO que nos escolhe, e que o caminho não está nem aí para nossa preocupação com o tempo, pois ele é eterno, pelo menos até a explosão da próxima bomba nuclear.

Esquecemos com frequência que a Mãe Terra é redonda e que vivemos clamando “que o círculo nunca se quebre”, talvez sem entender o que isto realmente significa. Estas palavras representam o moto contínuo, o rio que nunca é o mesmo enquanto rio que corre para o mar, mas que um dia rio novamente será, após ter sido mar, nuvem e chuva, rio que também é árvore, grama e fruta nascidas da terra que a chuva fertilizou, árvore, grama e fruta que alimentam os animais que são também alimento de outros animais, na infindável cadeia alimentar que é a base de equilíbrio da natureza sem a intervenção do Homo Sapiens. Se é isso que os bruxos realmente desejam, que “o círculo nunca se quebre”, precisamos antes de mais nada compreender que todos os caminhos levam à Grande Mãe, quer estejamos vivos ou mortos, qualquer que seja a trilha escolhida.

Bem, foi preciso teorizar um pouco para poder chegar à prática. Isso mostra que não menosprezo os estudos, os livros, os rituais, os debates salutares na troca de idéias e conhecimentos. Mas essa bagagem de nada me serve se eu não tiver – e não colocar em prática 24 horas por dia – aquilo que convencionei chamar de ESPÍRITO DE BRUXA. Porque de nada adianta escrever aqui o quanto é importante manter o planeta limpo, criticar as indústrias poluidoras e ao mesmo tempo jogar meu toco de cigarro para fora da janela do carro. Qual a validade de anos de exercícios xamânicos complicadíssimos para encontrar o “animal de poder” que nos dá dicas em sonhos ou visões, se não achamos espaço em nossas casas e em nossas vidas para um gatinho ou um cachorro de verdade? De que serve a nossa passiva revolta diante da TV ao vermos a Amazônia e suas nobres madeiras sendo dizimadas, se temos preguiça até de regar meia dúzia de vasinhos que são pedaços da Mãe Terra dentro de nossos urbanos apartamentos? Para que celebrar o ciclo da vida e da morte nos sabbats da Roda do Ano, se quando a vida em pessoa bate na janela de nosso carro pedindo uma ajuda saímos apavorados ou fechamos o vidro naquela cara subnutrida?

Incorporar o verdadeiro ESPÍRITO DE BRUXA é ir além da dedicação, da iniciação, da busca pelos graus sacerdotais e de poder dentro de cada Tradição mágica. Nada contra, é claro. Eu mesma pertenço à Fellowship of Isis desde 1992 e dentro do possível busco ser uma sacerdotisa da Lua estudiosa e dedicada, apesar da distância física (a sede da FOI é na Irlanda). Também sonho um dia conhecer a sabedoria dos Druidas fazendo o curso da OBOD, mas já tem sete anos que estou empacada no grau de Bardo, tantas são as minhas dúvidas e falhas no Caminho Solar. Mas nada disso me fez ou me fará uma bruxa. O que me faz ter a certeza de que dentro de mim existe um ESPÍRITO DE BRUXA é a compreensão de que a verdadeira magia é a capacidade de operar a ALQUIMIA DA TRANSFORMAÇÃO no dia-a-dia.

Voltemos aos exemplos da teoria versus prática. Da próxima vez que você for ao supermercado ou lojinha de doces, compre alguns pacotes a mais de biscoitos, especialmente aqueles recheados. Não precisam ser caros nem de marcas famosas, precisam ser apenas biscoitos recheados. Compre também balas e alguns chocolates. Tenha essas guloseimas sempre à mão no porta-luvas. E da próxima vez que um pequeno projeto de vida com carinha suja e olhos tristes bater na janela do seu carro em meio ao trânsito infernal, não se assuste: sorria e diga que não tem o dinheiro que ele está pedindo, mas que tem biscoitos recheados, ou uma barra de chocolate. E você verá o toque da Pedra Filosofal operar o milagre da transmutação da dor em alegria diante dos seus olhos. Porque uma criança é sempre uma criança, por mais que a realidade a empurre para a violência e o desamor. E não dá para imaginar uma infância sem biscoitos nem chocolate, lembre da sua neste instante e não dê a moeda que os adultos certamente lhes vão tirar, dê doçura e felicidade, devolva ainda que por alguns minutos a infância roubada e tenha a certeza de que os deuses da Fartura sempre lhe rodearão. Afinal, você tem o ESPÍRITO DE BRUXA dentro de você.

Tão frágeis quanto as crianças são os animais, estes talvez mais ainda, pois embora consigam sobreviver sozinhos no mundo muito mais cedo do que um filhote humano, sua carência e incapacidade de comunicação verbal geralmente são fatais em caso de abandono. Adote um animal de estimação. Mas esqueça raças e pedigrees, por favor. Há tantos bichinhos sem lar e sem chance de viver, e você vai pagar fortunas por um filhote encomendado, filho de “campeões”? Campeões de que? De subserviência à vontade do Homem, de andar em cima de arames, fazer o oito entre obstáculos, subir num tamborete? Campeão é o cão vira-lata que jamais abandona o mendigo e divide com ele a fome e o desabrigo sob os viadutos das grandes cidades. Campeão é o gatinho jogado fora, arrancado da mãe ainda mamando, mas que teimosamente sobrevive e mia noites a fio debaixo da sua janela implorando seu amor. Seja BRUXO (A), abra sua casa e seu coração para esses animais de poder e agradeça à Deusa por permitir que você conviva com essas criaturinhas tão especiais. E agora que você transformou mais uma vez a realidade, pegue seu bicho no colo e medite em busca do seu xamânico “animal de poder”. Garanto que será uma experiência inesquecível.

Para encerrar o papo de hoje, não poderiam faltar as plantas. Não desanime se suas tentativas anteriores de ter plantas em apartamento ou mesmo numa casa fracassaram. Você agora está incorporando o ESPÍRITO DE BRUXA e tudo lhe é possível!!! Comece com pequenos vasinhos de ervas e temperos, que não sejam tóxicos aos animais domésticos, e empenhe-se em fazê-los sobreviver por pelo menos três meses. Siga as instruções do vendedor, ou compre um livro se o assunto lhe interessa, ou pesquise gratuitamente na Internet. Não relaxe, a planta é um ser vivo assim como você, o gato ou o cachorro do parágrafo anterior, não pode sobreviver sem água nem torrando no sol ou mofando na escuridão. Observe suas reações à medida que ela cresce, vá criando intimidade, conhecendo suas particularidades, o que a faz florescer e o que a bloqueia. Não se engane com a aparência dessa plantinha minúscula e inofensiva. Reverencie-a diariamente, assim como aos animais, aos outros seres humanos e a você mesmo diante do espelho, e estará reverenciando a Grande Deusa Mãe Natureza na forma que ela mais aprecia: a troca de energia entre suas criaturas.

BRUXURSINHA

Um Tributo a Bruxursinha

Não sei se por culpa da cidade que vivemos, ou das intermináveis guerras no neopaganismo brasileiro, deixamos de nos ver e fomos nos perdendo, o triste é que quando recebi a noticia, percebi que a perda era real e nada mais eu podia fazer para reverter o fato.

Era minha amiga e assim sendo meus amigos não tem defeitos, portanto ela também não os tinha, apesar de mentir um bocado. Mas era minha amiga e portanto eu sabia, sentia ou queria acreditar que sabia e sentia que ela mentia por uma tremenda carência afetiva. Ela precisava ser amada e precisava tanto que não bastava o amor que eu e outras tantas pessoas Sentia por ela. Era pouco ela queria o amor de multidões e de um homem que a amasse como mulher. Pois como excelente profissional que era, era admirada por muitos.

Mas não vamos aqui abrir uma dor atrasada, ela se foi há mais de uma semana e se foi como passou estes últimos anos discretamente e apesar de ser uma tremenda jornalista morreu sem dar nenhuma notícia. Creio que ela não queria que ficássemos tristes por sua partida e espero que todos respeitem isto. Não vamos falar da morte, falemos de vida e das alegrias que tivemos com ela.

Uma vez estávamos em Curitiba num encontro Bruxal num boteco no largo da ordem e ela aparece do nada com seu andar característico: – Sei lá, estava sozinha em São Paulo e pegou um avião para tomar umas conosco.

Outra vez ela me fez passar o maior mico num telefone Publico, na passagem de 2001 para 2002 e ela me obrigou a ficar conversando com minha gata Heloisa que havia ficado com ela enquanto eu viajava.

Também o desconhecimento da História de Abelardo e Heloisa já que ela batizou um gato preto com o nome de Abelardo só para cruzar com minha Heloisa. Porem ela acabou castrando o Abelardo antes dele fazer os gatinhos mágicos que nasceriam desta união. E não adiantou explicar pra ela que na história o Abelardo só foi castrado depois de dormir com a Heloisa.

Poderia ficar aqui falando horas sobre coisas engraçadas como ela se convidar umas 3 vezes por semana para jantar na minha casa, mas creio que hoje poucos conheçam a Bruxursinha, e assim não vão se interessar tanto por suas história.

Então paro por aqui, lembrando que ela participou e foi ativa colaboradora das listas de discussão do yahoo Incantatio e Annwn, me ajudando um bocado.

Como só soube atrasado, e nem tive noticias dela nos últimos anos espero que o nome Rachel Melamet, que ela usava no jornalismo, foi mais uma de suas mentiras, e que ela continue viva e apareça qualquer dia destes num boteco com seu andar de Humpty Dumpty e chegue dizendo estava chato em casa e vim encontrar com vocês