terça-feira, março 24, 2009

Lilith


Lilith era sexualmente fria, e seu marido em parte o sabia, apesar das simulações dela… Eles estavam sentados ali, juntos, e ela a olhava com uma expressão de suave tolerância, a mesma que costumava manter diante das crises dela, crises de egotismo, de autocensura, de pânico. A todos os seus dramáticos comportamentos, ele respondia com inabalável bom humor e paciência.Ela sempre enfurecia-se sozinha, irritava-se sozinha, suportava sozinha suas intensas convulsões emocionais, das quais ele nunca participava. Possivelmente, tratava-se de um símbolo de tensão que não ocorria entre eles sexualmente. Ele recusava todos os seus primitivos e violentos desafios e hostilidades, recusava-se a entrar com ela nessa arena emocional e a reagir à sua necessidade de ciúmes, temores, conflitos.Talvez se ele tivesse aceitado seus desafios e jogado os jogos que ela gostava de jogar, talvez então ela poderia ter sentido sua presença com um impacto bem maior do que o meramente físico. Mas o marido de Lilith não conhecia os prelúdios do desejo sensual, não conhecia nenhum dos estimulantes que certas naturezas selvagens reclamam e, desse modo, em vez de responder-lhe tão logo visse seus cabelos se eriçarem, seu rosto mais vívido, seus olhos como duas tochas de fogo, seu corpo inquieto e impaciente como o de um cavalo que aguardasse o início da corrida, ele se refugiava atrás do muro da compreensão objetiva, dessa tranqüila e irritante atitude de aprovação com a qual as pessoas olham para um animal no zoológico e riem de suas momices, sem penetrar em seu estado interior.

Era isso que deixava Lilith num estado de isolamento - na verdade, como um animal selvagem em pleno deserto. Quando ela se enfurecia e sua temperatura subia, o marido simplesmente deixava de existir. Ele mais parecia uma branda divindade que a olhasse dos céus e aguardasse que sua fúria se exaurisse por si mesma.

Se ele, feito um animal igualmente primitivo, surgisse na outra extremidade desse deserto, encarando-a com a mesma tensão energética nos cabelos, na pele e nos olhos, se surgisse com o mesmo corpo selvagem, pisando fortemente e procurando um único pretexto para dar o bote, enlaçar-se furiosamente, sentir o calor e a força de seu oponente, então eles poderiam rolar juntos pelo chão e as mordidas poderiam tornar-se de outra espécie, e a luta se transformaria num abraço, e os puxões de cabelo fariam com que suas bocas, seus dentes e suas línguas se unissem.

E, devido à fúria, seus órgãos genitais se roçariam mutuamente, soltando faíscas, e os dois corpos sentiriam a necessidade de penetrar um no outro para pôr um fim nessa formidável tensão.

Do livro Delta de Vênus de Anais Nin


segunda-feira, março 23, 2009

Merlin - A Série.


Há algumas semanas vi a série Merlim produzida pela BBC, assisti inteira de uma só tacada num fim de semana.
Apesar de que quando passar por aqui muita gente vai reclamar dela contar o mito de uma maneira não ortodoxa , e que aparentemente, se isto fosse feito por Holywood, seria algo difícil de engolir.
Mas, a BBC conseguiu, apesar da liberdade, manter uma história coesa e com todos os principais ensinamentos de como se iniciar na magia intactos.
Um bom divertimento com um Merlin adolescente, meio nerd e orelhudo contracenando com um Artur adolescente, bonitão forte e meio burro e arrogante, e se fundirem como as duas faces de uma moeda.
Vale a pena ver se divertir. A torrent série esta no site www.eztv.it, portanto vocês precisam baixar o bit comet antes e as legendas no www.podnapisis.pontoseiláoque (vejam no google)

quarta-feira, março 18, 2009

Mito – Texto, Contexto e Metáforas



Lendo o livro de Borges “História da Eternidade” de 1938, no segundo capítulo “As Kennigar”, encontro algo que por mais tentasse explicar nos meus textos eu não conseguia. Como explicar para pessoas que se interessam pela mitologia e pela religiosidade pagã, que não podemos seguir os textos clássicos ao pé da letra, ou melhor ao pé da tradução, já os originais destas fontes primárias foram escritos em grego ou latim, por homens da idade do bronze, do ferro e da antiguidade e que portanto os escritos faziam muito mais sentido para os humanos da idade do bronze, ferro e etc...

Creio que inadvertidamente, já falei várias vezes que para entender a mitologia grega deveríamos voltar a ser gregos da Idade do Bronze, ou seja, eliminarmos camadas e camadas culturais e por que não tecnológicas, para compreendermos o que, por exemplo, Homero queria dizer em seus versos...

leia o texto completo http://www.tribosdegaia.org/gwydyondrake/drake30.html

quinta-feira, março 05, 2009

Aborto da Natureza

Por vezes a natureza rejeita sua própria criação, de tantas coisas que a natureza engendra, algumas não vingam. Infelizmente algumas destas malformadas criações insistem em nascer, como no caso do Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto sofrido por uma menina de 9 anos, prenhe de gêmeos, após ser abusada sexualmente pelo padrasto.

A menina de 9 anos corria risco de vida, e qualquer idiota deve saber que uma criança não tem maturidade para ser mãe. Porém o Arcebispo é tão idiota que prefere seguir uma norma imbecil da igreja de manter a proibição do aborto mesmo em caso de estupro.

O padrasto da menina, um animal que deveria, assim como o arcebispo, ter sido abortado antes de nascer, saí ileso da condenação da igreja católica, e possivelmente por estupidez das leis brasileiras, sairá também livre da justiça dos homens, já que é primário.

Sou totalmente contra estes abortos da natureza humana, pessoas como este padrasto, deveriam ser castrados, para evitar que cometa outros atos de pedofilia, pois é claro que mais dia menos dia ele vai reincidir no crime.

A igreja católica já gasta milhões na defesa de seus padres pedófilos, agora vemos que a igreja defende também os pedófilos profanos. Será que tudo isto é uma interpretação errada das palavras do carpinteiro:

Vinde a mim as criancinhas.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Oferendas e Avisos

As Samiences

Brito e Nannoin, as duas samiences, não manifestam senão desprezo , às Leis de Afrodite: não penetram no seu templo e zombam das volúpias proibidas. Mostra o seu poder, ó Deusa, e pune aqueles que fogem de seus altares e desdenham de tuas alegrias.

Oferenda Rústica

Chamo-me Hermófilas, ó Deusa, e meu humilde trabalho é guardar bois. Minha noiva é a doce Eurínome, que enfeita os lindos cabelos com uma coroa de rosas.

Recebe dela ó Cipris, estes favos de mel dourado e da minha parte, este pequeno queijo.

A Vingança

Filina, também és amorosa? Conheces o terrível tormento das noites sem sono? Ou dormes, em teu leito tranqüilo, inconsciente do mal que me fazes?

Dia virá em que sofrerás as penas que sofro: as lagrimas crestarão as rosas das tuas faces, porque Afrodite me vingará – ela pune sempre as amantes cruéis.

Oferendas

Esta lindas sandálias enfeitavam os pés de Bitina; esta rede adornada de flores marinhas prendia os cabelos rebeldes de Filene; este delicado leque brilhava nas mãos de Anticléia; este fino véu que parece obra de uma deusa, protegia o rosto da bela Heracléia; esta serpente de ouro enrolava-se nos macios tornozelos de Aristéia.

Estas moças são amigas, tem a mesma idade e juntas fazem suas oferendas a Citeréia Celeste

quarta-feira, novembro 19, 2008

Belas lembranças

A Graça de Cípris

Doce é a neve para o viajante que tem sede, no verão; Doce é a brisa da primavera para os marinheiros cansados do inverno; mais doce ainda, porém é a graça que Cípris concede a dois namorados que se mantiveram separados por longos dias.

Melita

Tens os olhos de Hera, Melita; tuas mãos são as mãos de Atena; seus seios são delicados como os de Afrodite; teus pés são mais alvos que os pés de Tétis.
Fita-me – e é uma alegria sem par!
Falas-me – e é uma felicidade!
Beijas-me – e eu me sinto um semideus!
Desposas-me – e torno-me Deus

A Oferenda a Cípris

Vê Boidion, a Tocadora de flauta, vê Pítia, ó rainha Cípris.
Outrora foram amadas: agora oferecem os seus cintos e colares.
Ó negociantes, ó marinheiros, vossas bolsas não ignoram de onde vieram os cintos,
de onde vieram os colares

Os olhos culpados

Olhos meus, intrépidos bebedores de beleza pura, será que sempre vos embriagareis com o néctar cruel de Eros?
Fujamos, fujamos para longe, para um recanto sereno, onde farei sóbrias libações em honra a Cípris tranqüilizadora. Se Eros ainda vier te aguilhoar-me, umidece-vos de lágrimas gélidas, olhos meus, sofrei para sempre esta pena. Terá sido justa: pois vós que me fizestes conhecer as criaturas encantadoras que, sem cessar, me lançam em fogueiras furiosas.

As Flores

Já se entreabriu a branca violeta, e o narciso hibernal, e o lírio amigo das montanhas. Já floresceu Zenóbia, que os amantes adoram, flor encantadora entre todas as flores, rosa delicada de todas as rosas.
Ela passa. Ó Campinas, vão o brilho de vossas folhagens, vosso sorriso se desfaz. A criança é mais bela que as coroas de frescos perfumes .


(Sexta estarei bem longe da rede, por isto esta semana os
epigramas amorosos da Grécia antiga que nos remetem aos encantos de Afrodite, foram publicados hoje.)

Bona Dea


O começo de dezembro se aproxima e é o momento de preparar a festa de Bona Déia. A principio não poderíamos simplesmente traduzir este epíteto de Fauna, por Boa Deusa, afinal “bona” é o feminino de bônus e até a época de Cícero, bônus ou bona nada tinha com bom ou boa, mas sim com “Valente”, “Aguerrido” ou “bravo” já que este escreveu: “multae et bonae et firmae... legiones” ou seja “Não apenas valentes, mas também poderosas as legiões. Portanto Bona ou bônus, só se tornaram bom e boa no período do Império e por associação, não pela etimologia da palavra”.
Assim, se o culto da Bona Dea é anterior a própria fundação de Roma, já que ela é a mãe de Latino, pai de Lavinia que casou com Enéas, portanto devemos esquecer o Boa Deusa e chamá-la de Deusa Valente, Brava ou Aguerrida, o que, por sua lenda faz muito mais sentido.
Existem duas variantes do Mito, em uma ela é a Esposa de Fauno, que tendo um dia se embebedado de vinho e ele ao chegar em casa espancou-a até a morte com varas de Mirto. Na segunda Fauna é filha do Fauno e era muito virtuosa. Um dia seu pai chegou embriagado em casa e decidiu estupra-la, ela defendeu-se como pode até ser surrada pela vara de Mirto até que encharcada de sangue conseguiu fugir.
É nesta segunda variante que se sustenta as festas a Bona Dea, as matronas romanas “sempre” virtuosas e castas se reuniam desde o inicio da republica, na casa do Pontifix Maximus ou na de um dos dois cônsules e na presença das Vestais, a dona da casa chamava as mais importantes damas da republica, para numa atmosfera de pureza e respeito comemoravam a Bona Dea. Nestas festas, exclusiva para mulheres só eram proibidas duas coisas, o Mirto e falar a palavra vinho. Não obstante as Matronas se embriagavam de vinho, porém durante a festa o vinho era chamado de copo de leite e as ânforas que o guardavam de potes de mel. Quem as ouvia de fora só ouvia elas pedindo que passassem o pote de mel ou lhe servissem um copo de leite.
Outra particularidade desta festa era que como nas saturnalias ocorria uma inversão de papeis, as criadas vestiam as roupas da patroas e eram servidas por elas.
Com o crescimento da republica Bona Dea ganhou um templo no monte Aventino, cercado por um bosque sagrado, onde ocorriam as festas em honra a deusa, para as mulheres plebéias.

Esta tão decantada pureza destas festas é traída por alguns relatos do final do período republicano:
Contam que no ano de 62 a.C. o depravado Públio Clódio Pulcro, disfarçado de mulher, penetrou na casa Pontifix Maximus, não para apreciar a festa, mas sim por estar apaixonado por Pompéia a esposa de César, que ocupava na ocasião o cargo de Pontífice. Foi um escândalo sem precedentes, que levou o degenerado ao exílio e obrigou por honra César a divorciar-se de Pompéia.
Se analisarmos os símbolos desta festa veremos que desde o seu inicio eram festas em honra da virtude de Fauna, que poderia ter morrido, defendendo a sua pureza, a proibição ao vinho tinha uma estreita relação com a proibição das Matronas de tomar vinho, numa clara repressão aos cultos de Pater Líber, o Baco romano e a Surra de mirto, planta consagrada a Vênus, que apesar de ser cultuada por ser mãe de Enéas, era vista no principio de Roma como a Vênus Calva, numa lendária atuação das mulheres romanas que em meio a uma guerra pela conquista da Itália, cortaram seus longos cabelos para fornecer cordas para os arcos do exército de Roma, Vênus sempre amedrontou aos Romanos.
A Valente Bona Dea simbolizava as virtudes que as mulheres romanas deviam ter e das quais o vinho dionisíaco e Vênus poderiam afasta-las. Sem duvida, A cidade precisava estimular a fecundidade feminina das Mães e pretendia assegurar-lhes a proteção de divindades castas e caridosas, não deixando que as matronas se enveredassem por cultos sensuais que inspirassem as suas devotas o desejo de utilizar desordenadamente os poderes que deviam celebrar.
Bona Dea por ter defendido a castidade e depois se tornar mãe de Latino, um dos ancestrais de Roma, era o exemplo que os romanos queriam para suas mulheres. Porém em tempos imperiais, onde Vênus Genetriz a protetora de Julio César e de seu filho Otavio Augusto, as festas de Bona Dea perderam toda a sua aura de santidade. No período imperial podemos ler o que escrevia o ferino e satírico Décimo Junio Juvenal, contando e trazendo até nós as depravações que ocorriam nos finais do primeiro século d. C. nos mistérios de Bona Dea no Aventino:
Todos conhecem o que se passa nos mistérios da Bona Dea, Quando a flauta excita os quadris e sob o efeito da trombeta E do vinho, as Mênades de Priapo, fora de si, soltam e sacodem as cabeleiras e vociferam” ( Satirae 6, 314-334)
E Juvenal não para aí:

A excitação, porém não admite delongas; é a fêmea na sua totalidade.
Um grito Ecoa e se propaga pelo bosque todo: Agora é permitido, deixemos entrar os homens! Se o amante está dormindo, deve despertar e tomar seu manto e vir imediatamente; se não existe amante agarra um escravo; Se não existem mais escravos, virá ajustado o preço algum servo; Se este não é encontrado e faltam homens, não há porque retardar mais, Ela se deixa possuir por um jumento. (Satirae 6, 327-334)
E triste com o que descreveu Juvenal termina:
Oxalá os ritos antigos e o culto público se celebrassem isentos, ao menos, de semelhantes infâmias. (Satirae 6, 335-336)

fontes: Dicionário Mítico-Etimológico da Religião Romana – Junito Brandão O amor Em Roma - Pierre Grimal A literatura de Roma – G.D. Leoni

sexta-feira, novembro 14, 2008

Sexta é dia de Afrodite



O Orgulho de Ródope
Ródope se orgulha da sua beleza. Se eu lhe digo a sorrir: – “saúde, Ródope!” – Ela despede sobre mim um olhar distante. Se eu suspendo coroas à sua porta, ela as retira e pisa-as com seus pés arrogantes. Vem, impiedosa Velhice! Marcai o rosto de Rodapé, ó rugas! Assim vencereis a soberba de Ródope!

As canções de Eros

Eu dormia quando Cípris apareceu. O pequeno Eros a acompanhava. Ela me disse?
– Pastor, aqui está Eros; ensina-lhe a cantar. Dito isto desapareceu. E eu tentei obedecer-lhe. Ensinei a Eros minhas canções de pastor; transmiti-lhe tudo o que Pã inventara outrora, bem como Atena; contei como Hermes fez a lira com um casco de tartaruga; cantei, ainda mais, a gloria de Apolo Citaredo, no entanto, ele não me ouvia. Pôs-se a cantar e me ensinou muito sobre os amores dos homens e dos amores dos deuses, tecendo louvores a sua mãe. Esqueci as canções que procurei ensinar a Eros, mas não esquecerei nunca, as lindas canções que ele me ensinou.

Penélope

Voltas de terras longínquas, viste a Arábia empoeirada e a Índia onde as mulheres dançam nuas . e não tens mais olhares para sua amiga ansiosa que te esperava fiel em casa.
Malditas sejam as viagens! E no entanto, Ulisses, entre os braços de Circe, ainda pensava em Penélope.

Cáriclo

Teus Olhos , ó Cáriclo, estão pesados de desejo; tua cabeleira, em desordem; e tuas rosadas faces, mal iluminadas por extrema palidez. Pareces fatigado.
Se os olhos da noite te puseram em semelhante estado, quão feliz é quem te possuiu entre os braços! Se ao contrario, o teo ardor não foi satisfeito, se o ardente Eros não te atendeu de modo completo, vem pra mim! Sou capaz de acalmar tua inquietude Amorosa.

Eros e o Caçador
Um jovem caçador viu Eros em Uma Arvore, em descanço. Julgou então que o deus alado fosse um grande pássaro e quis prende-lo. Eros porém, zombou de todas as astúcias do caçador.
Irritado, o rapaz procurou um velho camponês e mostrou-lhe o pássaro sutil que fugia. O velho sorriu e disse-lhe: – Não persigas este pássaro, meu amigo. Ele é muito mau. Tomara que não o prendas nunca. Enquanto ele fugir de ti, serás feliz. Mas evita que ele um dia venha ao seu encontro espontaneamente e, de súbito, desabe sobre sua cabeça.

O Juramento de Arsínoe
Fizemos a Eros o mesmo juramento: prometi a Arsínoe uma ternura eterna; ela prometeu ser-me fiel. Mas de que valem os juramentos para Arsínoe? Eu lhe consagro ainda um Amor ardente, e ela hipócrita, vive de aventura em aventura.
Os deuses não se interessam em demonstrar seu poder.

Os Beijos de Safo

Langorosos são os beijos de Safo; langorosos são os abraços dos seus braços alvos; langoroso bé seu corpo tentador. Mas sua alma é dura como ferro. Seus lábios desfiam palavras de amor; mas onde aquele a quem se entregou inteiramente? Safo, cruel Safo, quem pudesse viver a teu lado suportaria muito bem o suplicio de Tântalo.

Dionísio: O Senhor da Dança


É inquestionável, os relatos e a grande multiplicidade de fontes confirmam que em varias regiões do mundo grego e posteriormente no mundo romanos, as orgias (por favor, não leiam isto com o sentido atual) Dionisíacas ocorriam com regularidade bienal, como o ciclo do deus. As orgias não eram associadas como hoje à diversão, mas sim como participar de um rito religioso, ou ter uma experiência religiosa ou ainda a comunhão com o Deus. Os festivais das Tíades, também chamadas de Bacantes ou Mênades, segundo Diodoro, ocorriam em várias partes da Grécia a cada dois anos. E era permitido que mulheres solteiras empunhassem o Tirso e compartilhar o êxtase com as mais velhas, o que retira o cunho sexual do evento. Estes festivais aconteciam em Tebas, Opus, Melos, Pérgamo, Priene e Rodes, além de atestadas por relatos de Pausânidas em Aléia na Arcádia, por Aeliano em Mitilene, e por Firmicus Maternus em Creta.

Com tal recorrência de relatos fica difícil acreditar que não passavam de lendas, como muitos afirmaram. Diodoro as descrevia como uma dança feminina que ocorria no alto das montanhas durante o inverno, o que é confirmado por Plutarco, que relata ocorrências no monte Parnaso em Delfos, alem de outros lugares “a sacerdotisa de Dionísio em Mileto ainda conduzia as mulheres à montanha em tempos helenísticos tardios”.

Leia o texto completo em: http://www.tribosdegaia.org/gwydyondrake/drake27.html