sexta-feira, março 04, 2011

Voar é com os Pássaros – o Sonho de Ícaro


“Terras licet”, inquit, “et Undas Obistruat,
at caelum certe patet. Ibimus illac;
Omnia possideat, non possidet aera Minos (Ovídio)
(Embora Minos nos feche a terra e o mar,
Ao menos o céu está aberto: iremos por lá. 
O senhor de todas as coisas, não tem domínio sobre o ar)

Imagino que os meus prezados visitantes e aqueles que se perdem no labirinto, possam me compreender melhor, do que aqueles que pouco me conhecem. Possivelmente os que não percorreram os meus caminhos, que não andaram por este espaço, como muitos que praticamente segurei pela mão como um guia e mostrei o caminho da saída. Aques que entram e saem do labirinto sabem quem eu sou de verdade, pois todos os sentimentos, as indignações que estão impregnadas nestas paredes são reais, já que nestes corredores não existem mentiras, tudo aqui é verdadeiro.

Porém os desavisados, aqueles que só colocaram a cabeça na porta e não se aventuraram a dar mais que três passos em direção ao centro, não conseguem entender a brincadeira e me imaginam um monstro solitário incapaz de fazer um amigo. Tudo bem, pode parecer estranho, mas do lugar onde vim, se não fosse normal era corriqueiro encontrar gente com aparência estranha, O Deus Pã, nasceu com coxas e pernas de Bode e não foi por isto que foi desconsiderado, é um Deus. E mais, é um Deus benevolente guardião dos animais na natureza, boa praça, sínico e um piadista irresistível que consegue fazer que a pessoa ria de si mesmo, quando ele expõe suas fraquezas e desvios de caráter. O meu querido Dionísio, nasceu com chifres de touro, que também não impediu que ele se tornasse Divino, e possivelmente o Deus mais cultuado, até hoje, do panteão olímpico.

Acho estranho, portanto, que eu filho de Posídon, só porque nasci com a cabeça de touro seja considerado uma abominação. É absurdo que além que eu tenha que pagar pelo erro do meu pai humano. Mas nunca reclamo, até gosto daqui, tanto, que mesmo quando me disfarço de humano, e saio para viver fora daqui, sempre acabo voltando. Tenho tudo aqui. Uma boa biblioteca, uma excelente cozinha, adega, uma banda larga divina, que permite que eu veja o mundo exterior. Tenho a companhia dos visitantes, mesmo aqueles que se envergonham de tecer comentários sobre o que viram por aqui. Muitas vezes os encontro pelas redes sociais e fico sabendo, que vivem perambulando por aqui, alguns até se perdem e depois se reencontram aqui mesmo nos meus domínios.

Falei tudo isto para dizer que as vezes me sinto muito triste, quando me lembro do meu primeiro amigo Icaro. Passamos a infância juntos, pois seu pai ficou preso muitos anos aqui, e mantinha sua oficina de inventos ali no primeiro corredor a esquerda.

Chegamos aqui ainda crianças, quase que na mesma época. Eu vindo de uma prisão no palácio, e Ícaro vindo do mundo exterior, foi com ele que me reconheci humano, divino e aprendi as primeiras palavras. Ficamos juntos até a juventude, quando finalmente ele e o pai fugiram e junto com Ícaro sofri minha primeira morte entre tantas nesta minha longa vida.

Não foi por medo, que não voei junto com eles, mas seria um pouco incomodo numa fuga estar acompanhado por alguém com cabeça taurina. Mas sabia que voar sempre fora o sonho de Ícaro, desde a infância fazíamos asas com penas de pássaros que vinham no labirinto. Lembro-me dele com suas longas asas feitas pelo pai, seu sorriso confiante. Ainda repeti o aviso que lhe dava desde criança: Voar é para os Pássaros, se os Deuses quisessem que voássemos os deuses nos dariam asas.

O dia chegou, e Dédalo, falou: Voar não é possível para os humanos, mas morreria se passasse o resto da minha vida, preso e sem criar. Por isto vamos orar aos deuses, para que não vejam o que fazemos, e seremos discretos não voando perto das ondas que molhariam nossas penas, nem tão alto que o sol, derreta a cola de cera. Vamos a meia altura sem chamar a atenção dos que estão a distancia. E partiram.

Pela parte aberta do labirinto, os vi ganhando os ares a única saída aberta do reino de Minos, percebi que algo daria errado, quando Ícaro ultrapassou o Métron (suas medidas), e depois de um rasante sobre o palácio de Minos, usou o impulso da descida, para subir ainda mais Alto, como se risse do Rei das terras e mares. Quando vi a desmesura senti que perdi o amigo, tive a certeza que ele perderia todos os limites, foi tomado pela hybris e esquecera sua condição humana desafiou, o Eros primordial, a atração de todas as coisas. O que equilibra o universo e nos prende à terra.

Minha ultima visão de Ícaro, foi uma descida vertiginosa. Como um falcão buscando a presa sobre o labirinto ainda ouvi meu nome, Asterion, gritado por ele para chamar minha atenção, antes que usasse o impulso para ir ainda mais alto e sumiu nos céus.

Foi triste saber o final, o que ele acreditou ser a Liberdade foi sua ruína... Despencou do céu que ele acreditou possuir.

O seu sonho de viver livre, nada mais era que o seu trágico destino.


sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Castor e Polux - Os deuses dos bipolares.

Castor e Polux - Os deuses dos bipolares.
Pois é a mitologia grega tem deuses ou abstrações para todos e pra tudo. Até mesmo os bipolares têm uma divindade só para eles.
Embora na antiguidade os Dioscuros, fossem os protetores dos marinheiros e dos soldados, a bipolaridade deles como deuses já era muito clara.
Para quem não conhece a história destes dois segue um pequeno resumo: Eram filhos de Zeus e Leda, assim como Helena e Clitemnestra. Diz o mito que leda ao ser possuída por Zeus, já havia tido relações sexuais com seu marido, e assim ela botou dois ovos de um nasceu Helena e Castor, filhos de Zeus e do outro Polux e Clitemnestra.
Castor e Polux eram inseparáveis desde o nascimento até a Morte, viveram muitas aventuras, como a viagem junto aos argonautas, a caçada do Javali de Calidon e a libertação de Helena, raptada por Teseu entre outras tantas, em vida eram o símbolo da juventude bem vivida e da união, já que ambos eram excelentes guerreiros e sempre lutavam juntos.
Mas é na vida eterna que se tornam os protetores dos bipolares, já que Castor era imortal, e Polux não. Quando Castor morreu Zeus imediatamente fulminou seu assassino e levou - o com as próprias mãos para o Olimpo. Lá chegando Castor não se conformou por se tornar um imortal e seu irmão seguir para as profundezas do Hades. Falou com seu pai, pedindo o destino dos homens, já que não queria passar a eternidade sem seu irmão. Compadecido pelo amor fraternal, Zeus não podendo burlar o destino de ambos, dividiu a imortalidade entre ambos em uma divindade chamada os Dioscuros (filhos de Zeus). A cada dia um dos irmãos assumiria a imortalidade, se hoje Castor era deus, amanhã Polux o seria.
O que Zeus não atentou, foi que apesar de serem irmãos e inseparáveis, eles eram muito diferentes, quando um era lanceiro o outro era cavaleiro, enquanto um era pugilista o outro era espadachim, como Apolo e Dioniso, que eram opostos complementares, assim sendo, eles não poderiam mesmo ficar separados, pois a separação reduziria ambos a metade, somente juntos se completavam.
Para nós mortais que precisamos dos deuses, o culto aos Dioscuros é feito com muito cuidado, pois nunca sabemos se pedimos a Castor e a Polux, e não sabemos também quem nos atenderá? Pois eles morreram muito jovens, e por isto mesmo depois de mortos, não perderam o espírito brincalhão e irresponsável da juventude, e resolveram entre eles, não seguir a divisão feita por deus, e deixaram de fazer a troca diariamente, já que neste momento que efetuavam a troca, podiam se ver e falar.
Com isto os gêmeos, fazem conosco o que todo o gêmeo idêntico faz, nunca nos deixam saber quem é Castor e quem é Polux e em alguns dias fazem esta troca varias vezes, confundindo ainda mais os seus devotos.
A única maneira que seus fieis encontraram para louvá-los individualmente é usarem colunas gêmeas com barra os ligando em cima e embaixo, nomeando cada coluna, assim se o pedido for pra castor, a oferenda será depositada junto a coluna dele, o mesmo acontecendo se a escolha for Polux.
Portanto, meus caros Bipolares, abandonem os remédios de Tarja Preta e rendam-se aos encantos e poderes destes dois deuses que são um só e sejam felizes como eles foram e são. Nada pior que ficar dividido.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Faxina e reflexões




A cada volta ao centro do labirinto, o que mais incomoda é a sujeira e a bagunça, corpos estraçalhado de heróis, armas e escudos espalhados pelo chão, e ninguém imagina o trabalho que dá lavar tudo isto, a torneira mais próxima é fora do labirinto... É um trabalho cansativo, afinal o labirinto tem o tamanho de uma existência.

Andando no escuro carregando um balde em cada mão fico matutando no que vi no período que passei fora, acho os humanos filho de humanos muito estranhos, apesar de todo o conhecimento que tem, nunca aceitam errar. Esquecem completamente que até mesmo os deuses, incluindo Zeus, também erravam, até que este irritado por ter cometido um erro que fez sofrer sua lha Atena, agarrou Ate (a personificação do erro) e a atirou Olimpo abaixo com tanta força que esta foi bater no monte Ida e rolou por suas encostas até o monte onde um dia seria construída Tróia. Uma pena que os antepassados dos troianos, edificaram ali sua cidade. Uma cidade sobre a colina do erro, nunca ficaria ali por muito tempo. Uma pena, os troianos foram uma raça linda e orgulhos, mas tiveram um triste final.

Desde que Ate foi atirada para longe do Olimpo, que o erro passou a fazer parte da vida dos humanos, o erro é tão certo quanto a morte, é impossível para um mortal não errar. Sendo assim, não sei por que os humanos, nunca aceitam seu erro. Inventam milhares de subterfúgios. Buscando culpar aos outros por suas mínimas falhas. Creio que este pode seu um dos motivos que viver fora de casa me encha tanto o saco.

Seria muito melhor que quem cometesse um erro, simplesmente o aceitasse, e dissesse claramente: Errei, desculpe, mas aprendi com o meu erro e isto não vai se repetir. Mas não, desfiam um interminável rosário de lamentações e desculpas, para justificar o ocorrido sem nunca assumir o erro, nem tampouco aprender com ele. O que faz que ele se repita sempre.
 
Esta característica de querer se igualar aos deuses é que causa a ruína dos homens, tornando esta raça que nasceu dos deuses, cada dia mais distante de seus criadores. Chamando para si a fúria de Nemésis, aquela que pune aqueles que não se ajustam a própria medida querendo ser mais do que são, equiparando-se a aqueles que nunca poderão ser, os Deuses.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

De volta ao Labirinto


São incríveis as voltas que a vida dá, vivemos como que perdidos pelo imenso labirinto da existência, percorremos longos corredores, certos que encontramos um caminho e quando percebemos estamos correndo sobre nossos próprios passos e novamente estamos no mesmo lugar e sozinhos.

A solidão é a tônica do labirinto. As vezes encontramos outros perdidos, juntamo-nos, andamos em grupo, acreditando que assim será mais fácil encontrar a saída, mas qual, se cada vida segue o novelo traçado pelas moiras, cujo sentido final só saberemos ao fim do novelo.

Poucos tem a sorte, como Teseu de um segundo novelo ofertado pela senhora do Labirinto, mas ainda assim, este novelo só mostrava o caminho naquele labirinto de Creta e mesmo Teseu fracassou na vida, pois longe de Cnossos se perdeu no próprio labirinto.

Neste grande labirinto universal cada qual tem seu caminho, objetivo, emprego, grupo, família, mas por mais que nunca admitimos, estamos sempre sozinho do escuro, sem saber o que será no amanhã, no próximo ano, década, não sabemos mesmo se chegaremos até amanhã, nosso fio pode ter sido cortado pela cega, no momento exato em que termino esta frase..................... Não, meu fio não terminou ainda, ainda tenho tempo de divagar mais um pouco.

Gosto da vida, ainda que não tenha medo da morte, prefiro viver e perambular, per ambulat, “andar através de” tudo o que encontro. Conhecer e apreender e quando possível passar um pouco do que apreendi, mas como ensinar a viver se cada vida é solitária e diferente, já que cada um carrega o seu destino.

Volto ao meu centro, meu trono, de onde escuto muitos rodando sem destino em minha volta, perdidos nos escuros corredores. Estou no meu centro, que com toda certeza não é o centro do labirinto, nem o centro do mundo, muito menos no centro do universo, mas pelo menos é o meu centro.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Z (1969) Como eu gostaria que este filme não fosse tão atual

O filme já começa com a advertência
“Qualquer semelhança com eventos e pessoas da vida real não é coincidência. É intencional”.

Por causa do vigor de suas denúncias, o filme chegou a ser proibido no Brasil, na época da ditadura militar, e ficou proibido durante 10 anos e creio que se for relançado no Brasil, possivelmente será proibido novamente.

Embora Costa Gravas  fale sobre a militância a favor do bem-estar social, da liberdade, da igualdade e do respeito aos Direitos Universais do Homem, e das posições tomada no caso por um governo de direita militarista, podemos a qualquer momento ver as ações de um governo de esquerda como o governo de Cuba ou da Venezuela, ou até mesmo do presidente Lulla, com restrições a imprensa Livre e suas milícias de militantes violentos como vimos no caso da semana passada onde militantes petistas cercaram o candidato de oposição, que fazia uma passeata pacifica.

Um filme denúncia contra regimes totalitários, não importando a ideologia política, e que sempre será atual, pois combate e denuncia a luta tanto da direita quanto da esquerda contra a liberdade e a justiça e seus tiranos e regimes ditatoriais.

Assisti no sábado após 30 anos de ter visto a primeira vez, e novamente percebi que nem a direita ou a esquerda aceitam a luta pela liberdade individual e coletiva de seu povo.

Assistam ou revejam, caso não seja encontrado nas lojas ou locadoras é possível baixar na rede tanto o filme quanto a legenda

sexta-feira, outubro 22, 2010

A arte de esconder a verdade.



Dia 20 de outubro de 2010, aconteceu o pior ato da campanha eleitoral de 2010.

Um candidato de oposição a Presidência da Republica é impedido de caminhar livremente por uma via publica, por um grupo de militantes pagos pelo partido do governo.

Isto ficou claro em todos os vídeos exibido por todas as emissoras. Estes vídeos mostraram também que a ação foi planejada, pois primeiro um grupo pequeno parou a comitiva do candidato, esperando um grupo maior e uniformizado que chegaram minutos depois. Isto foi mostrado em todas as TVs, portanto inquestionável.
E como este ato de violência foi repudiado pela nação, recebeu ainda no mesmo dia a censura da Candidata do partido do governo.

No dia seguinte, tanto ela e o presidente da republica, mudaram de lado e passaram a chamar de armação do candidato opositor, que encenou ter sido ferido por uma simples bolinha de papel.

É aí que se começa a esconder a verdade. O ato de restringir a liberdade constitucional de “IR e VIR” é o que foi a maior violência. Um grupo uniformizado, com camisetas e bandeiras do PT, que chegou agressivamente ao local, como tudo que vimos em filmes e noticiários sobre a ascensão do nazi-fascismo.
Não importa saber o que atingiu o candidato Jose Serra, afinal ele não foi o único atingido, uma repórter ao seu lado foi ferida com uma pedra, e a democracia foi ferida por um ato inconstitucional, feito pelo partido que governa o país. O próprio estado agindo contra a constituição, a qual deveria respeitar e proteger.
Este flagrante delito é maior que esta estúpida discussão, sobre bolinha de papel ou rolo de fita, criada exatamente para esconder o mais grave, que é o que nos espera caso a candidata do governo ganhe as eleições, “a perda das garantias constitucionais a liberdade dos brasileiros”.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Sine Cerere et Libero friget Venus


(Sem Deméter e Dioniso, a Venus Definha - Sem pão e vinho o amor enfraquece)

Primeiro achei esta frase genial, uma versão romana para a nossa:“Quando a necessidade entra pela porta o amor sai pela janela”

Percebendo cada vez mais o quanto repetimos os antigos no nosso dia a dia, mas ela ficou repetindo na minha cabeça na pronuncia restaurada das aulas de latim “Sine Kerere et Libero friguet Uenus” e a cada repetição, ela se mostrava mais rica. Afinal não é apenas Venus que precisa de Ceres e Baco e nem mesmo o amor precisa apenas disso para se manter. E fui criando listas e listas de interdependências dos deuses.
Começei com a própria frase, Ceres e Dioniso, não são apenas pão vinho. Em Ceres temos toda a renovação anual do ciclo da vida, o que lembra aos amantes que também é preciso se renovar. Em Dioniso temos toda a loucura necessária para a paixão, pois é preciso a insanidade para se entregar inteiro ao outro e às vezes se deixar cair de costas tendo a certeza que será amparado.

E discorri algumas horas sobre o tema e vi que este amadurecia em uma verdade eterna, os deuses perdem sua força e definham quando estão sozinhos. Que seria de Athena, com toda sua estratégia, sem Ares e Enio para sujar as mãos na batalha. Um exército de Athenas perderia a guerra sem soldados ou sem o clamor da batalha, como uma tropa de sanguinários, que atacassem sem um general com a visão da batalha.
Mesmo Zeus não governaria o universo sem a ajuda de outros deuses, Hades governaria um mundo desabitado, sem uma Venus Libitina, a personificação do amor derradeiro, que prepara seus entes queridos para a viagem ao mundo subterrâneo. E que esperança haveria sem que Perséfone estivesse ao lado de Plutão, indicando o caminho para um renascimento de uma primavera.

Não consegui, imaginar nem um deus que trabalhasse sozinho, mesmo Hefesto precisa da beleza de Afrodite sua primeira esposa e de Aglaia a mais linda das graças, para criar o deslumbramento da beleza na sua arte.
Os deuses pagãos trabalham em conjunto, sempre vemos o dedo de um no trabalho dos outros, é esta Harmonia e cumplicidade, que deixaram os deuses tão perto de nós, e fizeram que eles permanecessem nas artes e literatura, mesmo quando seu culto foi abolido por força das armas.

É o conjunto dos deuses que os tornam mais semelhantes a nós, a interatividade que os tornam grandiosos e eternos. Por isto filhos dos deuses que não podemos louvar a um só, já que é impossível apenas um compreender toda a complexidade do ser humano e do universo que nos rodeia.

Assim filhos dos deuses, não acreditem que exista um deus mais forte e poderoso que os demais, cada um deles é uma força natural que em conjunto governam o infinito. E no momento que perceberem esta realidade, finalmente verão o quanto é ridículo, um humano se julgar acima dos outros.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Tocando em frente

 


















Um poema de Fausto Fawcett, nem sempre tão claro e ao mesmo tempo enigmático, ganha a força da palavra na voz de Maria Betânia e fazer o que?  Temos que seguir em frente ainda que não nos compreendam, já que a mente dislexia troque as virgulas e crie novas funções para as palavras que nos escapam pela boca e ganham asas e voam conta a nossa vontade, ganhando os céus e o mundo.

Palavras ditas e não ditas, que são ouvidas ou não, já que ouvidos moucos ou que se fazem de moucos podem não nos escutar ou querem não compreender os signos que contém cada palavra.

Enfim, vamos tocando em frente, porque já vimos o filme e sabemos seu final, que em nada nos surpreende já a trama nunca esteve amarrada e o roteiro é uma história brega que foi mal trabalhada.

Acreditamos que tudo pode mudar, pois fomos criados para crer na superação, julgamo-nos todo poderosos e que temos a sina de mudar o mundo, mas se não mudamos nem mesmo a nós mesmos e assim como podemos mudar alguém ou algo.

Seguimos sem lágrimas pelo muito que já choramos, ainda sem sorrir mas com a mente esperta e aberta, para tudo que não vimos, e nem veremos, pois tudo ficou pra trás. E não podemos mudar o passado, nem projetar o futuro, pois dele nada sabemos, no resta o hoje e este é ir tocando em frente.

terça-feira, setembro 14, 2010

Spartacus, para meninos Grandes


Com uma estética de Comics, que vimos em Sin City e 300, já existem torrens para Download da serie Spartacus Blood and Sand, que está passando em alta definição na TV paga.
É realmente impressionante o volume de sangue que é gasto na série, também tem as melhores lutas de gladiadores, que podemos ver até hoje, tanto no cinema quanto na TV. As lutas são maravilhosamente coreografadas, com efeitos de pausas ou slow motion, que parece coisa da super câmera, algumas lutas são de arrepiar.

Por enquanto só vi os 3 primeiros capítulos, e fora alguns deslizes históricos que arrepiam mais que as cenas de lutas, embora minha mulher diga que eu reclamo demais e que 99,9% das pessoas nem vão saber. Mas a reconstrução de época é boa, com figurinos e ambientes tão bons como as do Roma da HBO e com (muitas) cenas de sexo bem mais quentes que aqueles programinhas da multishow e GNT a série é um bom programa para crianças grandes, que ainda sonham em fazer coleção gladiadores de chumbo e brincam de luta com seus cachorros.

As mulheres podem reclamar das lutas e do sexo gratuito, mas também podem também deleitarem-se com o corpo do elenco de gladiadores, é tanto homem forte e bonitos que mais parece a parada gay de S. Francisco, barriga tanquinho é o que não falta.

A noite devo assistir mais 3 se piorar muito aviso para vocês, mas parece que eles não estão brincando, já iniciaram a gravação da segunda temporadas, antes mesmo da estréia desta primeira temporada

segunda-feira, setembro 13, 2010

Ágora


Esperei muito para encontrar este filme para baixar, nas primeiras vezes no ano passado, só encontrava versões filmadas nos cinemas, com uma péssima qualidade.

Acabei esquecendo e neste fim de semana lembrei-me dele. E quando procurei encontrei uma versão excelente, as legendas também estavam boas e bem sincronizadas.

Valeu muito à pena a espera, há muito não via nada tão bom sobre a conquista do cristianismo sobre as religiões antigas.  Mostra toda a intolerância cristã e o inicio do que vemos até hoje, a briga do cristianismo contra todo e qualquer avanço da ciência.

Num mundo dividido  na virada do Século IV para o V entre os anos  355 e 415e Alexandria é a cidade da tolerância, onde as religiões convivem e a ciência avança. Nesta época Santo Agostinho escrevia próximo dali em Hipona suas “Confissões” e nono de Pánopolis escrevia o ultimo grande poema épico pagão as Dionisíacas.

A biblioteca de Alexandria era um centro de estudos e divulgação do saber dirigido pelo filósofo Theon, o último diretor da Biblioteca e Academia. O filme conta parte da vida da filha deste, a filósofa Hipátia de Alexandria.

Com cenários maravilhosos e uma produção impecável de época, as imagens do final da antiguidade contrastam com o linguajar moderno da intolerância religiosa das religiões monoteístas de hoje. O que creio tenha sido a razão da falta de divulgação do filme no Brasil, dominado pelo cristianismo intolerante dos evangélicos, que trocam votos dos seus fiéis por benesses do governo e não a aprovação de vários projetos que desagradam os religiosos, dificultando a aplicação total da nossa constituição laica.

É lastimável, ver que depois de mais de um milênio continuamos seguindo a intolerância dos primeiros cristãos, no que concerne aos avanços da ciência e a as opções individuais das pessoas.

Um grande Filme, para baixar gravar, ter e ver para ver infinitas vezes, para não esquecer jamais, que o amor pregado por Cristo foi tão deturpado por seus seguidores em sua busca pelo poder.

O que mais me pesou, foi ver que sem a interferência da igreja cristã nascente nas teorias de Hipátia, teríamos adiantado o conhecimento que hoje temos em pelo menos 1400 anos. É que certamente isto ocorreu não apenas com a astronomia, mas também com a medicina e outras ciências.

Procurem ver!