Vida, Amor, Rinocerontes e os Porcos-espinhos
P.Vocês sabem como os porcos espinhos fazem amor?
R. Com muito cuidado...
Tudo bem, a piada é velha, mas ilustra muito bem como é nossa vida e nos dias de hoje e o cuidado que devemos ter para construir um amor de verdade.
Atualmente, vivemos preocupados com uma série de coisas que são muito importantes para nós e estas nos estressam demais, nos tornando insensíveis para os nossos próprios sentimentos.
Corremos o diatodo, para garantir um salário, temos medo de perder o emprego, e olha que tem gente na empresa querendo nos passar a perna, ficamos horas no transito com medo de assaltos com os motoqueiros (super agressivos) disparando a milímetros de nossos retrovisores, e se por acaso um deles se enroscar e cair, logo terão 20 motoboys, nos cercando e ameaçando. Tudo isto vão minando nossa paciência, tirando nosso bom humor e como defesa temos tanto a visão de Ibsen, nos os rinocerontes, que o ser humano moderno, vai criando cascas grossas, para se tornar insensíveis aos fatores externos. Protegido por sua couraça de placas, o ser humano vai se isolando e ficando impassível ao toque de outro ser humano e indiferente ao pensamento, ao sentimento alheiro e centrado no eu.
Outras pessoas menos radicais acabam ficando como os porcos-espinhos, criando afiadas pontas em torno de si próprias, evitando a aproximação de alguém e por mais que tentem, se aproximar e relacionar-se, estão sempre machucados ou machucando aquele a quem queria amar.
Como então amar os rinocerontes, que quase cegos, investem em velocidade para qualquer sombra que vêem, atropelando tudo que está no caminho, ou como namorar um porco espinho e eles são como um punhado de longas agulhas sempre prontas e espetar e ferir.
Como na piada do inicio desta postagem, com muito cuidado. Não que antes não precisávamos cuidar e alimentar diariamente o amor, isto sempre foi necessário, já pregava Ovídio, em seu “Arte de Amar”ainda no período de Augusto. Mais recentemente, o Gabriel Garcia Marques, quando perguntado se o Amor no Tempo da Aids era mais perigoso que o “Amor nos tempos do Cólera”? e ele simplesmente respondeu – Amar sempre foi perigoso.
Assim, devemos baixar a voz quando falarmos com a pessoa amada, pois duas pessoas estressadas, podem brigar por coisas banais se não tomarem cuidado. Pode parecer trabalhoso, mas é bom sempre escolher cuidadosamente as palavras, afinal um casal são duas pessoas diferentes, com educação e criação diferentes, e uma palavra boba pra um, pode ser terrivelmente agressiva para o outro. Algo normal pode ser um tsunami incontrolável, visto por um outro. Seja econômico com as palavras, já que estas quando, como nos conta Homero, quando escapam pelo redil dos dentes, jamais voltam ao aprisco, e ninguém para uma flecha atirada ou a palavra dita. O Vinicius de Moraes era bom nisso, escutem e gravem o que ele disse: - Pra não morrer de amor. É preciso um cuidado permanente Não só com o corpo mas também com a mente, Pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - E esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; Doce e conciliador sem covardia; Saber ganhar dinheiro com poesia.
Portanto, não fujam do amor na primeira derrota, e perder uma batalha não é perder a guerra, e melhor que a guerra é viver em paz. Amem, amar é a melhor parte da vida, mas cuidem da pessoa amada, como a uma flor rara, regue o suficiente, sem afogar, mas sim com um pouco a cada dia, converse fale baixo e cuidado com as palavras e com o tempo isto será automático para vocês, e quando chegar a este ponto, vocês consolidaram o amor para o restante da vida, e aí é só continuar amando, mas sempre vão precisar de cuidados.



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