terça-feira, março 27, 2012

Feliz, feliz...


Feliz, feliz eu não estou, até porque concordo totalmente com o Tom Jobim: “Fundamental é mesmo o amor / É impossível ser feliz sozinho...

Mas no geral, o que os olhos já não podem ver, é que estou até que feliz comigo mesmo. Durmo bem, agora que consegui estabilizar a falta de nicotina com um patch de 3,5 mg, que insisti tanto em não usar.  Acordo feliz cantando, pois não tem ninguém mal humorado por perto que detesta quem acorde feliz. Gente que acorda mal humorada é uma merda, já te corta sua alegria logo de manhã.

Canto, danço e dou risadas sozinho das minha coisas, afinal eu realmente acabo fazendo tudo da maneira mais difícil, que mais fácil para mim, por saber fazer daquele jeito meio atrapalhado e engraçado.

Não pensem que entrei naquela onda das pessoas do facebook, que estão sempre bem (da boca pra fora) ainda que estejam fodidos intimamente. Quem me acompanha sabe que não sou assim, tampouco sou hipócrita como muita gente que se faz parecer algo que não é. Gosto de ser eu mesmo, gosto de ir até o fundo dos meus sentimentos ao invés de ignorá-los. Sofro, choro, desço ao tártaro, o mais profundos dos ínferos mundos, deixando pra trás todas minhas roupas, conquistas e sonhos, pra poder tomar impulso para voltar e criar uma nova vida, como nascendo de novo.

Dificilmente falo aqui da minha felicidade, da minha perfeição como pessoa, da minha magnífica espiritualidade, mesmo porque, não sou nada disso. Geralmente, além de mitologia falo de mim mesmo, da minha dor, que muitas vezes não se cala se eu não grito aos céus. Falo da minha humanidade e da minha humildade perante a divindade, pois vejo o divino e os deuses a cada momento da minha vida.

Mesmo durante este período que sofri perdas terríveis, de nenhuma maneira me senti abandonado pelos deuses, eles e principalmente o meu Deus, estiveram sempre ao meu lado, me confortando, me dando paciência e me mostrando o quanto era importante eu passar por tudo que eu estava passando.

Agora a cada dia mais percebo, que tudo está melhorando e com o tempo tudo vai melhorando, estou sonhando e vou concretizar novos sonhos, construir novas coisas, afinal recomeçar de novo sempre foi o meu forte. Embora tudo esteja um pouco diferente, não sei se pela idade ou pelo tamanho das perdas, pois esta vez tudo foi mais lento, e exigiu mais empenho, mas ainda assim, as coisas estão andando.

A felicidade é composta de uma série de pequenas felicidades, e sem que eu percebesse como um conjunto, comecei a ver muitas pequenas felicidades na minha vida. Estou feliz com meu corpo, minha cabeça, a casa e seu cheiro de limpa e o aroma de boa comida no horário das refeições, geralmente ela está arrumada. Sinto-me feliz quando entro entre os lençóis perfumados, na banheira com sais e com as toalhas secas e fofinhas. Sou feliz com o conjunto das pequenas coisas da minha vida. Nunca espero explosões de felicidade, pois sei que isto é fugaz, me contendo com amores possíveis e nem busco mais os impossíveis já faz algum tempo e amores de cinema eu já tive, faltava dores de corno de literatura, que acabei também tenho, então daqui pra frente eu quero calma, amizade, confiança e alguém disposta a viver do meu lado o resto da vida. Tudo bem, que sempre quis isto, mas creio que agora é hora realmente de pensar seriamente nisto, antes de entregar meu coração.

E como todo bom taurino como sou só resta dizer, não tenho tudo que quero, mas é só uma questão de tempo, heheheh!

terça-feira, março 20, 2012

Vida após a morte!


É engraçado como até mesmo os textos parecem ter vida própria, ontem eu queria escrever o que vou tentar novamente hoje, mas à medida que fui escrevendo ele foi se desenvolvendo para algo que nem pensei escrever. O que eu realmente queria falar é sobre algumas tomadas de consciência que aparecem como um insight. Algo que já se cristalizava e consolidava, se que isto estivesse bem claro para você mesmo.

Há uma duas ou três semanas, estava fazendo meu jantar, quando um irmão me chamou na porta do prédio para me entregar alguma coisa, desci, passei uns 10 minutos conversando e subi porque tinha deixado coisas no fogo.

A surpresa foi quando abri a porta, o cheiro da comida e o calor que vinham da comida, me deram a sensação exata de estar voltando para o lar. Sim senti que minha casa era o meu lugar, ele me protegia e aconchegava mesmo eu estando sozinho.

Até então eu ainda pensava que meu lar era onde meu coração estava, mas ultimamente nem mesmo eu sei onde está meu coração, se com meus filhos e os filhos deles, os com os filhos distantes um ao norte e outra ao sul, ou se dividido em pedacinhos em cada mulher que amei. Amor recente que me machucou, amor antigo que deixou muita saudade, sei lá por onde anda meu coração, mas ainda não senti falta dele. Algumas vezes ainda dói, outras sente saudade, mas deixo quieto e logo ele acalma.

O que mais eu precisava era esta constatação de que eu tenho a minha casa e esta é um lar, casamentos eu já tive, filhos tive quatro com três mulheres diferentes, e a te sentir o cheiro da minha própria comida e o calor de meu fogão, eu acreditava que um lar é onde existe uma família, porém percebi que a família pode orbitar a casa paterna, afinal os meus filhos mais próximos nasceram aqui, meus pais morreram aqui, assim entre ascendentes e descendentes sou o elo mais forte entre o passado e o futuro da gens (guens) e dos gens.

O meu lar é onde eu me sinto bem, e a cada dia que passo estou mais adaptado a estar sozinho,  já acerto a fazer boas receitas em porções individuais, e nas vezes que exagero, aprendi a guardar ou congelar, pois agora aceito comer comida requentada. A casa está (quase) sempre arrumada, minhas plantas estão lindas. E eu começando a criar novos sonhos...

A vida sempre retorna, por mais que tenhamos descido ao mais profundo dos ínferos mundos, sempre podemos voltar à vida, e o que mais me garante esta fé é ver que as plantas brotam até em concreto de viadutos. Por mais que a morte seja inevitável, a vitória final é da vida.

sexta-feira, março 16, 2012

Múltiplos Horizontes

Às vezes me surpreendo vendo as coisas acontecerem sem que eu tenha projetado ou pensado em fazer algo para que acontecessem... Às vezes eu faço alguma coisa que por si só iniciam uma série de coisas de maneiras aleatórias, mas totalmente ligadas as minhas necessidades do momento. E é nesta hora que me pergunto: Será que só eu vejo assim? Será que só eu vejo a força dos deuses e das senhoras do destino agindo sobre mim?

Percebo que uma ação, por mínima que seja, coloca em movimento não apenas a minha vida, como também a de todos que me cercam. A cada ato, não apenas o universo que vivo, mas também alguns universos paralelos de movimentam e se realinham. Uma simples decisão, não importa se certa ou errada, desencadeia uma série de eventos inesperados e impensados como se existissem muitos horizontes, além dos horizontes visíveis. Véus que nublavam a nossa visão são rompidos um por um até que consigamos enxergar a verdade que nunca conseguíamos ver.

Aquilo que deu errado, sempre esteve errado desde o começo, por mais que todos nossos alarmes e intuições tivessem disparado lá no princípio, e ainda assim, nossa mente ou coração, insistiram em levar em frente aquilo que estava destinado ao fracasso, talvez porque nós quiséssemos que desse certo. Eu não sei se existe em nós esta vontade de enfrentar o destino, ou se foi incutido na nossa mente esta idéia religiosa de Livre Arbítrio, que afinal de livre não tem nada, pois você tem a liberdade apenas de escolher obedecer ou desobedecer, e a partir disso ir para o céu ou o inferno. Eu por não acreditar nem em um nem no outro, pois definitivamente sou contra as coisas absolutas, não creio numa bondade absoluta e tampouco em uma maldade plena. Acredito num equilíbrio e que tudo se encaminhe para um senso onde tudo se nivele.

Assim vejo que cada pequeno movimento que faço desencadeia outros, e que mesmo sem perceber tudo que até pouco tempo estava um caos, se encaminha sem nenhum esforço para o equilíbrio e a ordem, naturalmente. É isto que chamo de providencia divina, e este é o trabalho dos deuses.


quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Quem fica no sufoco é o consumidor e não o Planeta


Por mais que se retirem as sacolinhas práticas do supermercado, não tiraremos o planeta do sufoco. A prefeitura de São Paulo Por exemplo exige que o lixo seja colocado na rua embalado em sacos plásticos. Portanto este acordo dos supermercadistas com o governo estadual, alem de inconstitucional, por ferir a lei federal e o código de defesa do consumidor, onde o comerciante é obrigado a fornecer gratuitamente embalagem ao consumidor.

Quem ganha com isto além dos Supermercadistas, que já tinham incluído o preço das sacolinhas nos seus custos, o que já era contra o código do consumidor, pois as sacolinhas não eram gratuitas, seu preço já estava incluído em tudo o que comprávamos...

Agora os supermercados, eliminam as sacolinhas, não reduzem seus custos e ganham vendendo sacos de lixo, ou as mesmas sacolinhas que sufocavam o planeta para carregar compra.

Portanto em nada adianta para o planeta este esforço de propaganda da ABAS. Associação Brasileira de Supermercados, ao invés de tirar o planeta do sufoco este acordo com uma secretaria do governo de São Paulo, só coloca, como sempre, o cidadão consumidor no sufoco, que paga as contas dos lobys e corrupções dos governos em qualquer instancia.

A solução como veremos abaixo não é ceder as caixas vazias para transportamos nossas compra, como veremos mais abaixo, num projeto de lei de um vereador de São Paulo. A solução vira, se os associados da ABRAS, usarem sacolinhas como o próprio governo de São Paulo tem usado como vocês viram no início deste post, Recicladas e bio-degradáveis que se decompõem em 18 meses.

Afinal os governos em todas as esferas, deve imediatamente parar de sufocar os cidadões, consumidores e pagantes de imposto, que já são por demais onerados.

Veja agora a Bondade dos supermercados oferecendo caixas de papelão usadas:

PROJETO DE LEI 606/11

do Vereador Francisco Chaga

“Dispõe sobre a proibição do uso de caixas de papelão usadas para embalar compras no varejo e supermercados no Município de São Paulo

A CÂMARA MUNICIPIAL DE SÃO PAULO, decreta:

Artigo 1º - Fica proibida no âmbito do Município de São Paulo a utilização de caixas de papelão usadas para embalar compras em mercados, mercearias, quitandas, supermercados, hipermercados, açougues, bares, restaurantes, padarias, congêneres e todo e qualquer estabelecimento comercial do Município de São Paulo.

Artigo. 2º - A empresa que violar ou, de qualquer forma, concorrer para violação do disposto nesta lei estará sujeita à advertência, multa de 1000 (mil) UFMs, suspensão da atividade por 5 (cinco) dias e fechamento definitivo, conforme as reincidências, a serem regulamentas pelo órgão competente no prazo de 60 (sessenta) dias da data de sua publicação.

Artigo 3º - Compete aos órgãos municipais de fiscalização e de vigilância sanitária.

Artigo 4º - O Poder Executivo regulamentará esta lei, no que couber, no prazo de 90 (noventa) dias, a contar da sua publicação.

Artigo 5º - Esta lei entrará em vigor ria data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Às Comissões competentes”.

“JUSTIFICATIVA

Tem se tornado prática corrente o fornecimento “gratuito” por parte de estabelecimentos comerciais de caixas de papelão já utilizadas originalmente para seus clientes transportarem suas compras. O que aparentemente pode parecer, à primeira vista, preocupação com o meio ambiente, na verdade é mais uma estratégia daqueles estabelecimentos em se livrar do encargo e da responsabilidade de dar uma destinação adequada aquelas caixas.

O que ocorre entretanto com a utilização destas caixas de papelão já usadas, é um elevado risco à saúde pública, pois estudos científicos mostram que, com relação à contaminação por bactérias, as caixas de papelão apresentam maior quantidade de baterias quando comparadas com outras possibilidades de transporte de mercadorias, como por exemplo as sacolas plásticas e com as chamadas ecobags (sacolas de pano).

Nas caixas de papelão foram verificados que 80% das amostras apresentaram coliformes totais, 62% das amostras apresentaram coliformes fecais e 56% Escherichia coli, além de fungos, bolores e leveduras.

As caixas de papelão revelaram ainda elevada carga microbiana quando por exemplo, comparadas às sacolas plásticas (cerca de 8X mais para bactérias e 12X mais para fungos), além da presença de bactérias do grupo coliforme e inclusive Escherichia coli. Estas contaminações podem ser oriundas da própria matéria prima dessas caixas, mas também das condições de armazenamento quando ainda com seus produtos originais ou até mesmo do armazenamento nos estoques para seu reaproveitamento. As caixas são, em alguns casos, verdadeiros berços de insetos de todo tipo.

Some-se ainda às bactérias, fungos, carga microbiana, insetos etc, a possibilidade do contato de produtos de limpeza armazenados nas caixas de papelão com os alimentos adquiridos e transportados pelo consumidor nas mesmas caixas “gratuitamente” fornecidas pelos estabelecimentos.

Além da séria questão de saúde envolvida na utilização de caixas de papelão, outro ponto relevante é o fato de que os estabelecimentos comerciais são responsáveis pelo gerenciamento e destinação adequada dos resíduos sólidos gerados pelas suas atividades, e fornecendo para os consumidores as caixas de papelão para serem reutilizados, os supermercados estão repassando diretamente para o consumidor tal responsabilidade, livrando-se do referido encargo
.
Por estas razões é que venho contar com o apoio de meus pares a esta importante questão de saúde pública.”

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Sonhos dentro de sonhos...


... E se você dormisse? E se você sonhasse? E se, em seu sonho,
você fosse ao Paraíso e lá colhesse uma flor bela e estranha?
E se ao despertar, você tivesse a flor entre as mãos?
Ah, e então?

S.T. Coleridge
 
Ontem dia abri o facebook e encontrei esta postagem, da Zoe de Camaris, possivelmente eu apenas curtiria ou passaria batido, apesar da citação ser no mínimo intrigante. Acontece que eu já estava intrigado pela nota publicada na Blogosfera da Veja, Para o Cérebro, os Sonhos são Reais ( http://veja.abril.com.br/blog/diz-estudo/ ). Será que é por isto que sempre acordamos antes de um acidente, vivo sonhando com um acidente de carro que no exato momento do choque eu acordo, ou quando estou despencando dos céus, como Ícaro, desperto antes de me estatelar, pois se morremos nos sonhos, nosso próprio cérebro nos matará?

Quase entendi porque às vezes acordo de um sonho recorrente e passo meia hora tentando lembrar as conversas e das pessoas que conversei ou interagi no sonho. Nunca consigo lembrar um fato real onde estas pessoas e estas conversas aconteceram, porém quando estas são lembradas nos sonhos, as memórias são tão vivas. Nestes sonhos, os fatos que são lembrados, chegam a ser mais fortes que as lembranças da minha própria vida, e mesmo quando acordo estas lembranças continuam vivas, até que eu me convença que aquilo não aconteceu, estas memórias me pertencem. Aí começo a perceber, que não conheço aquelas pessoas, que nunca estive naqueles lugares e que todas as lembranças que tenho nestes sonhos são como se eu vivesse outra vida enquanto durmo.

Além destas constatações, se somam outras que me levam a pensar mais sobre esta hipótese; fui muitas vezes acusado de penetrar nos sonhos de outras pessoas e persegui-los em horários que com certeza estou dormindo. Algumas pessoas já me viram em locais públicos, em festas particulares estas pessoas, contam testemunhas, que do nada, se viram para um espaço vazio, começam a falar comigo e as vezes tentam um exorcismo para que eu pare de persegui-los e o pior: eu verifiquei datas e percebi que quando isto acontecia eu estava dormindo e no sonho recorrente que eu sou outra pessoa, moro em uma casa que não conheço e tenho amigos estranhos que nunca vi.

Mas fico receoso de dar credito ao que escrevi acima, pois também sou acusado de uma série de outras coisas muito estranhas e obscuras, como por exemplo: fazer sexo durante madrugadas inteiras mesmo estando mais de mil km de distancia com pessoas que nunca vi; roubar almas de pessoas com magia sexual ou com o poder da mente; caminhar atrás de pessoas em ruas desertas, e quando estas se voltam, desapareço no ar com uma gargalhada sinistra. O pior é que tenho uma série de testemunhas que estas coisas foram contadas por minhas vitimas, ou que viram pessoas falando comigo para paredes vazias.

Na verdade eu não me lembro destas coisas todas que faço durante a noite, fora é claro, do sonho recorrente que tenho outra vida. Mas de uma forma ou de outra, ainda que meu lado sombrio faça coisas escondido de mim e cria esta existência que me é tão familiar, o que penso é que temos uma capacidade incrível de criar e que muitos desconhecem completamente, como outras funções cerebrais. Acredito firmemente que S.T. Coleridge, possa estar certo, que um dia sonhamos que colhemos uma flor em um dos infinitos paraísos, e ao acordar ela ainda está em nossas mãos, ainda que seja por alguns segundos, a flor permanece até ela desvanecer lentamente em nossas mãos, assim como nossos sonhos e desejos, que o destino não deixou que se realizasse.
 



 

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Vida & Mitologia


Um dia deste uma amiga me disse:

 – Adoro o jeito que você mistura a sua Vida com a Mitologia, quando escreve, fica parecendo tão real!

Juro que parei por uns instantes, sem entender o que ela estava falando, quando finalmente entendi respondi:

     – Eu não misturo nada, é assim que eu vivo! Sinto a presença dos Deuses em cada momento da minha Vida.

     – Você fala, conversa com os deuses diariamente – espantou-se ela.
 – Na verdade não, pelo menos, não na maneira que você pensa. Não me sento com eles na mesa, tampouco olho para os céus, pergunto e eles respondem nem  converso com eles no templo, Mas eles estão presentes o tempo inteiro na minha vida, eu os vejo e os escuto na natureza e em minha volta. Às vezes um raio responde uma pergunta que esta na minha cabeça, um vento, uma brisa me dão sinais, um pio de pássaro que não deveria estar por ali. As vezes a resposta vem de um mendigo que me fala coisas aparentemente sem nexo, mas que fazem um puta sentido, ou por acaso escuto uma conversa enquanto tomo café num balcão.

Sonho tenho visões principalmente naqueles momentos de modorra, aquela sonolência gostosa quando estamos quase fechando os olhos de sono, isto eu aprendi com o Monteiro Lobato que poucos lêem hoje. Sim creio que foi quando a crianças do sítio queriam ver o saci. Hoje eu sei que é um momento limítrofe, estamos entre o sono e a vigília, e todo momento de transição é por si mesmo mágico, como falei aqui no post “Aquele azul”

Assim vou vendo deuses e os sentindo a todo o momento, como se estivessem o tempo inteiro me alertando, me acariciando e dando um jeito de me avisar o que eu deveria saber. Porém temos um livre arbítrio, que nos dá a opção de segui-los o tempo inteiro ou seguir nossa própria cabeça e não é pecado nenhum não fazer o que os deuses mandaram eles não se incomodam, mesmo porque não acredito em pecados, nem na culpa imposta pois não sou dualista e  separo tudo em bem e mal, luz e trevas, masculino e feminino, acredito que tudo se interage, pelo bem ou pelo mal, dependendo o momento.

Assim, eu sinto sim a presença dos deuses e vivo exatamente da maneira que eu escrevo, ora louvando uns, ora aplacando outros e sempre buscando o equilíbrio ou como sempre fala o eixo da roda da fortuna, onde tudo gira em minha volta e eu permaneço no centro.

Creio que este papo não vai acabar por aqui, temos muito que falar sobre como viver como pagão, e não dizer que é pagão e viver querendo ser bonzinho para ir para o céu, ou optando pelo outro lado. Gente, o paganismo é o equilíbrio, sem ele nunca seremos pagãos

sábado, janeiro 21, 2012

A Prostituta com Cabeça

Adoro este conto, vai de presente de fim de semana pra vocês


A Prostituta com Cabeça de Woody Allen


Uma das coisas de ser um investigador particular é que você tem que aprender a seguir seus palpites. É por isso que, quando um trêmulo pedaço de manteiga chamado Word Babcock entrou em meu escritório e colocou suas cartas na mesa, eu devia ter confiado no arrepio que subiu por minha espinha.

"Kaiser?", ele perguntou. "Kaiser Lupowitz?"
"É o que diz minha licença", admiti.
"Você precisa me ajudar. Eu estou sendo chantageado. Por favor!"
Ele tremia como um cantor de orquestra de rumba. Empurrei um copo até ele e uma garrafa de uísque de centeio que sempre tenho à mão para fins não medicinais. "Trate de relaxar e me conte tudo."
"Você... você não vai contar para minha mulher?"
"Vamos ser francos, Word. Não posso fazer qualquer promessa."
Ele tentou tomar um gole, mas o bater de seus dentes podia ser ouvido do outro lado da rua e a maior parte da bebida acabou em seus sapatos.
"Eu sou um cara trabalhador", disse. "Manutenção mecânica. Eu monto e conserto vibradores de brincadeira. Você sabe - aqueles aparelhinhos que dão um choque quando as pessoas apertam as mãos?"
"E daí?"
"Muitos de seus executivos gostam deles. Especialmente em Wall Street."
"Vamos ao que interessa."
"Eu viajo um bocado. Você sabe como é - sozinho. Não é o que você está pensando. Veja, Kaiser, eu sou basicamente um intelectual. Claro, um camarada pode ter todas as vagabundas que quiser. Mas uma mulher com miolos - esta não é tão fácil de encontrar de repente."
"Continue."
"Bem, eu ouvi falar de uma garota. Dezoito aninhos. Aluna de Vassar. Por dinheiro, ela vem e discute qualquer assunto - Proust, Yeats, antropologia. Troca de idéias. Percebe aonde quero chegar?"
"Não exatamente."
"Quero dizer, minha mulher é legal, não me entenda mal. Mas ela não vai discutir Proust comigo. Ou Eliot. Eu não sabia disso quando casei com ela. Sabe, eu preciso de uma mulher que seja mentalmente estimulante, Kaiser. F, estou disposto a pagar por isso. Não desejo qualquer envolvimento - quero uma rápida experiência intelectual e depois que a garota vá embora. Cristo, Kaiser, eu sou um homem bem casado."
"Quanto tempo já dura a coisa?"
"Seis meses. Toda vez que tenho esse desejo, ligo para Flossie. Ela é uma madame, com mestrado em literatura comparada. Ela me manda uma intelectual, entende?"
Então, ele era um daqueles sujeitos cuja fraqueza era mesmo por mulheres inteligentes. Senti pena do pobre mané. Imaginei que devia haver um bocado de tolos na mesma situação, famintos por um pouco de comunicação intelectual com o sexo oposto e que pagariam os olhos da cara por isto.
"Agora ela está ameaçando contar para minha mulher", ele disse.
"Quem está ameaçando?"
"Flossie. Eles grampearam o quarto do motel. Conseguiram fitas onde eu discutia The Waste Land e Styles of Radical Will, e, bem, até entrava em certos assuntos. Eles querem dez mil dólares, se não contam
para Carla. Kaiser, você tem que me ajudar! Carla morreria se soubesse que não conseguiu me estimular nesse sentido."
O velho golpe da garota de programa. Eu já tinha ouvido boatos de que os camaradas da chefatura estavam lidando com alguma coisa
envolvendo um grupo de mulheres cultas, mas até o momento estavam impedidos de agir.
"Ligue para Flossie; eu falo com ela."
"O quê?"
"Vou aceitar seu caso, Word. São cinqüenta dólares por dia, mais despesas. Você vai ter que consertar um monte daquelas suas engenhocas."
"Não vai chegar a dez mil, tenho certeza", ele respondeu sorrindo e discou um número no telefone. Eu o tomei de sua mão e pisquei. Estava começando a gostar dele.
Alguns segundos depois, uma suave voz feminina respondeu e eu lhe disse o que pretendia. "Sei que você pode me ajudar e arrumar uma hora de um bom papo", eu disse.
"Claro, benzinho. Em que você está pensando?"
"Gostaria de discutir Melville."
"Moby Dick ou os romances mais curtos?"
"Qual é a diferença?"
"O preço. Só isso. Simbolismo é mais caro.
"Quanto vai me sair?"
"Cinqüenta, talvez cem para Moby Dick. Você quer uma discussão comparativa - Melville e Hawthorne? Dá para ajeitar por uns cenzinhos."
"O preço está bom", eu lhe disse e dei o número de um quarto no Plaza.
"Você quer uma loura ou uma morena?"
"Prefiro a surpresa", respondi e desliguei.
Fiz a barba e tomei um café enquanto repassava a série de Resumos do Monarch College. Nem uma hora havia se passado quando ouvia batida na porta. Abri e me deparei com uma jovem ruiva metida numas calças que pareciam duas grandes conchas de sorvete de baunilha.
"Oi, eu sou Sherry"
Eles realmente sabiam como apelar para nossas fantasias. Cabelos longos e lisos, bolsa de couro, brincos de prata, nenhuma pintura no rosto.
"Estou surpreso de você não ter sido barrada, entrando no hotel com essa roupa", eu disse. "O detetive da casa costuma reconhecer um intelectual."
"Por cinco dólares ele fecha os olhos.
"Vamos começar?", sugeri, levando-a para o sofá.
Ela acendeu uni cigarro e entrou direto no assunto. `Acho que poderíamos começar abordando Billy Budd como a justificativa de Melville para os métodos de Deus para com o homem, n'est-ce pas?"
"Interessante, contudo, não em um sentido miltoniano." Eu estava blefando, queria ver se ela iria cair.
"Não. Faltava a subestrutura do pessimismo em Paraíso perdido." Ela havia caído.
"Certo, certo. Por Deus, você está certa", murmurei.
"Creio que Melville reafirmou as virtudes da inocência em um sentido ingênuo, porém sofisticado - você não concorda?"
Eu a deixei continuar. Ela mal tinha dezenove anos, mas já havia desenvolvido a superficialidade calejada do pseudo-intelectual. Foi desfiando suas idéias desembaraçadamente, mas era tudo mecânico. Sempre que eu apresentava uma opinião, ela fingia dar uma resposta: "Mas, claro, Kaiser. Sim, meu bem, isto é profundo. Uma compreensão platônica do cristianismo - como não percebi antes?"
Conversamos durante cerca de uma hora, após o que ela disse que precisava ir. Levantou-se e eu lhe dei uma nota de cem.
"Obrigada, amorzinho."
"De onde esta saiu, há muitas mais."
"O que você está querendo dizer?"
Eu havia despertado sua curiosidade. Ela se sentou de novo.
"Suponha que eu queira, digamos, uma festa."
"Como? Que tipo de festa?"
"Vamos dizer que eu queira Noam Chomsky explicado por duas garotas."
"Nossa!"
"Acho melhor esquecer..."
"Você teria que falar com Flossie", ela disse. "Vai custar mais."
Era hora de fechar o cerco. Exibi minha carteira de detetive particular e avisei que ela fora apanhada.
«O quê?»
"Eu sou um tira, docinho, e discutir Melville por dinheiro é um artigo 802. Você pode pegar uma cana."
"Seu safado!"
"É melhor ficar fria, querida. A menos que você queira contar sua história no gabinete do delegado Alfred Kazin, e eu não creio que ele iria gostar de ouvi-Ia."
Ela começou a chorar. "Não me entregue, Kaiser", pediu. "Eu precisava do dinheiro para concluir meu mestrado. Pedi uma bolsa, mas não consegui. Duas vezes. Oh, meu Deus..."
Então ela desabafou e contou toda a história. Criada no Central Park West, acampamentos de verão de tendência socialista, Universidade de Brandeis. Era o tipo de garota que se podia encontrar na fila do Elgin ou do Thalia, ou rabiscando a lápis "Sim, é verdade" na margem de algum livro sobre Kant. Só que em algum ponto do caminho, fez a escolha errada.
"Eu precisava de grana. Uma amiga me disse que conhecia um sujeito casado com uma mulher meio bronca. Ele se interessava por Blake; ela não conseguia suportar. Eu disse, tudo bem, por uma grana eu converso com ele sobre Blake. No começo, ficava nervosa. Na maior parte do tempo eu tapeava. Ele não se importava. Minha amiga disse que havia outros. Ora, eu já fui apanhada antes; me pegaram lendo Commentary em um carro estacionado e uma vez fui parada e revistada em Tanglewood. Com esta, é a terceira vez que me dou mal."
"Leve-me até Flossie, então."
Ela mordeu os lábios e disse, "A livraria do Hunter College é a fachada."
"Como?"
"Como aqueles pontos de apostas que têm uma barbearia na frente para disfarçar. Você vai ver."
Dei um telefonema rápido para a chefatura e avisei a ela: "Tudo bem, docinho, você está livre. Mas não saia da cidade."
Ela levantou o rosto para mim, agradecida. "Posso conseguir para você umas fotos de Dwight Macdonald lendo", ofereceu.
"Talvez outro dia."
Entrei na livraria do Hunter College. O vendedor, um jovem com olhos sensíveis, se aproximou. "Em que posso servi-lo?", perguntou.
"Estou procurando por uma edição especial de Advertisements for Myself. Soube que o autor mandou imprimir alguns milhares de exemplares com douração para os amigos."
"Tenho que verificar", ele disse. "Temos uma linha direta para a casa de Mailer."
Encarei-o fixamente e disse: "Sherry me mandou vir aqui."
"Bem, nesse caso, vá até os fundos." Ele apertou um botão; uma parede de livros se abriu e eu entrei como um cordeiro naquele animado palácio de prazer conhecido como a toca de Flossie.
O papel de parede flocado vermelho e a decoração vitoriana davam o tom. Garotas pálidas e nervosas, com óculos de aros pretos e cabelos em corte reto se recostavam em sofás, folheando clássicos da Penguin provocantemente. Uma loura com um grande sorriso piscou para mim, fez um sinal na direção de um quarto no andar de cima e disse: "Vamos de Wallace Stevens?" Mas não se tratava apenas de experiências intelectuais - elas ofereciam experiências emocionais também. Por cinqüenta paus, fiquei sabendo, era possível "relacionar-se sem chegar à intimidade. Por cem, uma das meninas poderia emprestar seus discos de Bartók, jantar com você e depois deixá-lo observando enquanto ela tinha um ataque de ansiedade. Por cento e cinqüenta, era possível ouvir uma rádio FM com gêmeas. Três notas davam direito a um pacote: uma judia morena e magra fingiria apanhá-lo no Museu de Arte Moderna, deixaria você ler sua monografia de mestrado, levaria você a se envolverem uma discussão acalorada no Elaine's sobre a concepção de Freud acerca das mulheres e, por fim, simularia um suicídio de sua escolha - uma noite perfeita, para alguns camaradas. Quanta agitação. Grande cidade, Nova lorque.
"Está gostando?", ouvi uma voz atrás de mim. Virei-me e de repente vi-me diante do cano de um 38. Sou um sujeito de estômago forte, mas desta vez ele deu um pulo. Era Flossie. A voz era a mesma, mas Flossie era um homem. Uma máscara cobria seu rosto.
"Você não vai acreditar", ele disse, "mas eu nem terminei a faculdade. Fui excluído por causa de notas baixas."
"Por isso é que você usa esta máscara?"
"Eu bolei um esquema complicado para assumir o comando de The New York Review of Books, mas isto significava que teria de passar por Lionel Trilling. Submeti-me a uma operação no México. Existe um médico em Juarez que dá às pessoas as feições de Trilling - cobrando por isso. Mas algo saiu errado. Eu acabei parecido com Auden e com a voz de Mary Mc Carthy Foi então que passei a agir do outro lado da lei."
Rapidamente, antes que ele pudesse apertar o gatilho, entrei em ação. Atirando-me para a frente, com o cotovelo golpeei seu maxilar e, enquanto ele caía para trás, agarrei a arma. Caiu ao chão como uma tonelada de tijolos. Ainda estava se lamuriando quando a polícia chegou.
"Bom trabalho, Kaiser", disse o sargento Holmes. "Quando terminarmos com este sujeito, o FBI vai querer uma conversinha com ele. Um probleminha a respeito de alguns jogadores e um exemplar anotado do Inferno de Dante. Podem levá-lo, rapazes."
Naquela noite, procurei uma velha conhecida minha chamada Glória. Era loura e havia se diplomado com louvor. A diferença era que havia se formado em educação física. Parecia legal.




sexta-feira, janeiro 20, 2012

Obsessões, compulsões e névoas de fumaça.


Estava fazendo do meu jeito, ou tudo ou nada, (Aut César aut nihil) No dia da Lua, com uma dose razoável de Ziban no organismo, acordei e fiquem sem fumar até as 16:30. No dia de Marte, fiquei sem fumar até as 19:00 e meus planos no dia de mercúrio seria o de não fumar nenhum, pois ia na consulta e aproveitaria para pedir uns paths de nicotina.

Conversando com a médica que por sinal é ótima, ela levantou um ponto fundamental, e o que eu iria fazer com a minha compulsividade? Para onde eu iria direcioná-la? Comida, Ginástica, Sexo, sim já fui compulsivo sexualmente, e isto acabou com meus primeiros casamentos, ou para onde eu iria dirigir a compulsão e o meu comportamento obsessivo. Se eu parasse de fumar sem entender estas coisas, eu poderia desenvolver uma serie de outras obsessões e compulsões e que num destes momentos ou quando algo desse errado ocorresse eu voltaria a fumar compulsivamente.

De certa forma, isto já tinha acontecido, quando parei de fumar a uns oito o nove anos atrás; fiquei três anos me abstendo dos cigarros, após isto num check up, o médico olhando uma chapa dos pulmões, me deu os parabéns por nunca ter fumado, concomitantemente aconteceram duas situações de stress e em uma delas “precisei” fumar, mesmo que para mim naquele momento o cigarro não era mais gostoso, o gosto era ruim e me dava tonturas, mas mesmo assim fiz isto para não resolver as situações estressantes na impulsividade. Com isto voltei a fuma compulsivamente a duas carteiras de cigarro por dia.

Preciso então apreender a controlar, e perceber quanto realmente meu corpo necessita (sim necessita sou um viciado) da Nicotina, e quanto eu acendo um cigarro atrás do outro por obsessão?  O primeiro dia da experiência (ontem) eu fumei apenas 10 cigarros contra os 40 ou mais que eu fumava normalmente, hoje que observar isto ainda melhor e se possível reduzir mais. Quando chegar a uma decisão de quanto eu realmente preciso de nicotina por dia, troco o cigarro pelos adesivos, e minha luta será apenas contra a compulsão e o habito de fumar, pois o vicio e a dependência química estarão controlado pelos adesivos.

Achei interessante, e estou fazendo isto, creio que será menos sofrido que como eu queria fazer. Com o corte abrupto, o sofrimento seria maior e compulsivo, eu paro e pronto, e foda-se, no resto sou forte o bastante para parar com esta merda. Isto não seria consciente e racional.

Creio também que esta experiência também possa me fazer uma pessoa, melhor, afinal meus Dois primeiros deuses, Dionísio e Posídon, são ambos vulcânicos e explosivos e eu preciso aprender a lidar com estas características dele.

Hoje mesmo uma pessoa que amo, me ligou perguntando se eu tinha parado de fumar, e quando fui explicar tudo isto que expus acima, ela brincou: “há... Você está enrolando pra parar” isto foi o suficiente para um sonoro PUTAQUE O PARIU, PORRA vc não entende que estou fazendo um tratamento, e que estou sendo orientado por médicos especialistas nisso? Eu não precisava ter feito isto, mesmo estando numa situação limite, com tudo que deu errado na minha vida no ano passado e que preciso consertar toda a minha vida, para um novo e glorioso recomeço, que sei que acontecerá. Mesmos estando como o Chico escreveu:

“Deixe em paz meu coração / Que ele é um pote até aqui de mágoa / E qualquer desatenção, faça não /Pode ser a gota d'água”

Devo aprender a controlar estas explosões, terremotos e maremotos, mesmo porque fico terrivelmente triste, por ofender quem eu amo, por uma bobagem estúpida que foi dito em tom de brincadeira.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Labirintos Transitórios


Labirintos, eles podem ser feitos de qualquer coisa, eles sempre te darão outra visão da realidade, às vezes mais nítidas outras distorcidas, mas sempre que você deixa um labirinto, uma parte dele segue com você.

No SESC Pompéia a exposição - Olafur Eliasson – Seu Corpo da Obra transforma os salões do SESC em vários labirintos e como dizia Borges, é estranho que os homens construam coisas pra se perder,  o primeiro labirinto da exposição feito com enormes paredes de acetatos coloridos onde perdíamos a noção de cor pela sobreposição destas e perdíamos a significação do espaço víamos o outro lado e não podíamos atravessar as paredes coloridas ou encontrávamos o córrego artificial que corta o espaço.

O segundo labirinto, precisa ser visitado urgentemente por todos aqueles que buscam a luz e fogem das trevas, pois é um labirinto sem paredes,  um labirinto de nevoas luz e trevas. Entramos pelas trevas sem ver nem a luzes ou as névoas. Não distinguimos nem mesmo a pessoa com quem falamos, a escuridão nos toma inteiros não vemos nem o próprio nariz, mas não é tão aterrador, afinal não foi a primeira vez que a treva nos cegou.

Caminhamos buscando uma linha reta, para encontrar outra parede para poder chegar até a saída, mas nisso começa a clarear e e passamos a distinguir vultos e já não nos trombávamos com outras pessoas, aí chegamos a zona dos meios tons, onde podíamos até distinguir o rosto nas pessoas que como nós se perdiam no labirinto.

A grande Surpresa foi quanto mais avançávamos em direção a luz, nossa visão se esvaia na brancura da nevoa e novamente nos cegava...

Tanto a Luz quanto a escuridão nos cega, e sabemos que a luz pode nos cegar permanentemente e nas trevas a cegueira é passageira. Somos seres dos meios tons, nos perdemos tanto na luz quanto nas trevas e só vamos nos encontrar quando estamos longe das  extremidades.

O humano tem seus limites, e se quisermos alcançar algo é entre estes pólos que deveremos andar, qualquer tentativa de nos aventurar alem destes extremos nós desbaratamos e dissipamos e podemos não retornar jamais, a nós mesmo.

Nunca esqueçam as palavras do frontispício do Templo de Apolo em Delfos “Conheça a ti mesmo, mas deves lembrar ainda mais do que está escrito na saída “E se ajuste a sua própria Medida”.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Comida para a Alma.




Às vezes precisamos mais que apenas alimentar o corpo, precisamos trazer o nosso espírito de volta. Uma comida com história, passado que te traga lembranças da infância e de momentos onde não existia tristeza, uma comida alegre. Um rango caseiro e familiar, sem nada de sofisticado, nem com sotaque esquisito, nem receita em livro.

Não sei se fiquei caçando fotos antigas hoje , mas hoje nem mesmo o  Bistrô Ici, me satisfaria e creiam, foi lá que fui surpreendido pela ultima vez, por uma inusitada combinação, se um atum fresco quase cru com crosta de gergelim acompanhado com um purê picante. Não, eu queria comida de sábado, quando meu pai ou meu avô iam pra cozinha, comida de um ex. sogro nascido em Bolonha. Comida que eu exercitei ainda na adolescência, mas minhas primeiras incursões na cozinha. Nada elaborado, quase grosseiro, comida de camponês faminto, com gosto de lar, sabor de saudade daqueles que não virão nunca mais.

Degustar todos os momentos da sua vida que foram marcados pela simplicidade, muitas das vezes que se abriu a geladeira quase vazia e se foi encontrando um pedaço de calabresa perdido, tomates quase passados, cebolas com jeito de cansadas e juntar tudo num molho vermelho com cebolas cortada em oito pedaços , tomates cortados em quatro e a calabresa fatiada em rodelas, refogadas na manteiga temperada com ervas de Provence carregada com alecrim e sal marinho moído na hora.

Só pelo cheiro do molho abri um Chianti, uma taça grossa, carreguei no parmesão de verdade e moí pimenta na hora, já na primeira garfada, sabia que era isto que eu precisava. Chamei todos os meus mortos para comer comigo, pois foi com cada um deles que aprendi a me virar na cozinha.

A Comida da Alma é aquela que alimenta seu corpo e também eleva seu espírito a lembranças boas e verdadeiras.